Aborrecia-me ver os meus filhos a brigar. A baterem uns nos outros. A darem pontapés debaixo da mesa. A mandarem ao chão os brinquedos alheios só para chatear. A chamarem nomes ao outro logo pela manhã, como quem vai ganhando ritmo para um dia longo. Com a mesma facilidade, encontro-os abraçados no sofá. Quando vêm de uma festa, trazem doces para dividir com os irmãos. Se um está sozinho, arrasta-se pela casa a perguntar, de três em três minutos, quando é que os irmãos chegam. S (...)
Existem duas atividades que me ajudam bastante a descontrair e a afastar-me do stress e do ritmo acelerado do dia a dia. São formas simples de relaxar sem recorrer ao telemóvel ou a conteúdos que, sinceramente, pouco acrescentam. 1. Ouvir vozes calmas, o meu ASMRUma das coisas que mais me relaxa é ouvir pessoas a falar calmamente. Descobri que sou muito sensível a ASMR (Autonomous Sensory Meridian Response) e que certos sons ou situações me causam aquela sensação agradável de (...)
Não sei se isto é um defeito, um tique ou algo que fui aprendendo com o tempo. Quando me dizem: “Vai por ali”, eu quase sempre pergunto: “Porquê?”. E mesmo que todos à minha volta sigam por ali, eu ainda vou perguntar “porquê” e “para quê”. Ao longo da minha vida, fiz muitas coisas de forma diferente da maioria. Outras, fiz exatamente como os outros. Mas fui eu que escolhi, sempre, o caminho. Sabia também que tinha de ir com os meus próprios pés e com os meus (...)
Há muitos anos li Frankenstein, de Mary Shelley, e guardo até hoje a memória de um livro simples, pouco pretensioso, mas profundamente humano. Apesar do seu imaginário gótico, nunca o considerei propriamente um romance de terror. É uma obra sensível, cheia de perguntas sobre o que significa existir, pertencer e ser visto. Por isso, quando soube que Guillermo del Toro, um realizador que admiro, especialmente pelo Labirinto de Fauno, estaria por detrás de uma nova adaptação, (...)
Com 13 anos comprei uma camisola de gola alta preta. E, pela primeira vez, comecei a sentir algum conforto na minha pele. Não por a camisola ser especialmente confortável ou por as roupas anteriores não serem macias, mas por ter encontrado uma peça de roupa com a qual me sentia realmente bem. Antes disso, lembro-me de, sem saber ao certo o que estava a fazer, tentar seguir algumas modas. Lembro-me da minha mãe, com uma paciência que só o amor maternal explica, a pintar vários (...)
Guardar dinheiro é uma prioridade aqui em casa por três razões essenciais: 1. Porque queremos que sobre ao final do mêsSomos uma família de cinco (dois adultos e três crianças), e gerir o orçamento familiar com equilíbrio pode fazer a diferença entre viver com stress ou com tranquilidade. Queremos investir naquilo que valorizamos: férias em família e atividades extracurriculares para os nossos filhos, especialmente nas áreas do desporto e das artes. 💡 Dica:Existem (...)
Vocês conhecem aquela sensação de que há algum movimento estranho ao vosso lado, mesmo quando estão muito concentrados a olhar para o ecrã? Aconteceu-me hoje. Eu estava a trabalhar, completamente focada, quando comecei a sentir um incómodo à minha direita. Olhei, e lá estava ela: uma aranha com uns seis ou sete centímetros. Como o Halloween tinha sido há pouco tempo, ainda pensei que fosse uma daquelas aranhas falsas de plástico usadas para decorar a casa. Mas logo percebi que (...)
A minha primeira experiência de amizade espontânea, aquelas que não são facilitadas pela amizade dos pais ou por laços de sangue, foi aos cinco anos, quando entrei para a escola primária. Não me lembro bem de como começou, mas lembro-me da sensação aconchegante que a presença da Madalena provocava. A Madalena era um colo de mãe em forma de menina de seis anos. Generosa, sorridente, tranquilizadora, aquela menina representou os únicos momentos de conforto e alegria que (...)
Quando fui apanhar um pouco de alecrim para aromatizar o jantar, quase bati com o nariz na Dona Aranha. Com 5 cm ou 6 cm, impõe um certo respeito, pelo que não nego que dei um salto para trás de susto. Depois, fui observá-la melhor e deixem-me dizer-vos que é mesmo bonita. A foto mostra-a de barriga, mas tem as costas com riscas amarelas e pretas como um tigre. É conhecida, precisa e justamente, por aranha-tigre ou aranha-vespa e é muito amiga das nossas hortas, porque (...)
Um destes dias estava eu a caminhar com a Lara pela cidade. Foi uma caminhada longa, cerca de 25 minutos, desde a escola até casa. Durante o caminho, ela contou-me um episódio que achei muito interessante. Uma aula não planeada, mas muito importanteNesse dia houve um furo na escola: uma professora faltou e foi substituída pela professora de robótica. Aproveitando a hora, a professora decidiu falar com os miúdos sobre o tempo passado em frente a ecrãs — telemóvel, tablet, (...)