Neste momento acho que podia ser caracterizada por um meme em que um desenho animado, rodeado de caos, afirma alegremente: "Está tudo ótimo. Está tudo ótimo." Por aqui está tudo ótimo. Está mesmo. Temos comida, estamos juntos, temos sol em casa o dia todo (desde que não esteja a chover). De manhã temos sol no nosso quarto e na sala, e de tarde no quarto dos miúdos e na cozinha. Até já estendemos pareos de praia no chão para aproveitar o sol. É tanto e tão forte que às (...)
Perto das 00h00, quando me preparava para ir dormir digo pergunto ao Milton: - Hoje é terça ou quarta-feira? Sinto-me tão aturdida que nem sei. Diz-me ele: - É segunda- feira.
(imagem de pixabay) Foi uma experiência peculiar. A imagem que tenho deste momento é do Milton armado em dentista, na cozinha, a arrancar o dente à Lara, com a mão, e ela a rir toda contente e entusiasmada. E eu, toda encolhida a lavar a loiça com aquilo tudo a fazer-me muita impressão. Nem sou muito impressionável mas isto de dentes arrancados mexe-me com os nervos. O dente, um dos incisivos inferiores, estava a abanar há uns dias, poucos, e hoje estava quase a cair. Por (...)
Nunca fui grande fã de arroz como acompanhamento, ainda menos de arroz de tomate. Lembro-me de comer arroz de tomate quando era mais pequena e de não gostar do sabor, que achava muito forte e desagradável. Também não gosto especialmente de arroz branco, arroz chau chau ou outro arroz qualquer. Arroz, para mim, só arroz doce. Disso eu gosto e muito. Ainda assim, no outro dia, decidi fazer um arroz na bymbi. Normalmente só uso a bimby para doces, sopa e molhos mas (...)
A Lara fez 6 anos no último dia de escola, quando já se sabia que as escolas iriam fechar a partir da segunda-feira seguinte. Ela tinha pedido para fazer uma festa na escola, com pula-pula, tal como fez no ano passado e os seus amiguinhos costumam fazer. Já tínhamos tudo marcado mas ponderámos cancelar. Pensámos mesmo muito no que havíamos de fazer mas, uma vez que a Lara iria à escola de qualquer maneira e a festa era só connosco e com os colegas com que ela iria estar (...)
Descobri a Catarina Claro há uma semana. Fiquei maravilhada! É uma verdadeira contadora de histórias profissional. E, faz-me lembrar a primeira educadora da Lara, que também foi educadora da Maria e era fantástica como educadora, como pessoa e como contadora de histórias. Entretanto foi lecionar para outra escola e deixou muitas saudades, embora as professoras dos miúdos sejam todas excelentes e muito carinhosas. Voltando ao assunto deste texto, queria aconselhar-vos fortemente (...)
Não costumo falar muito de emoções. Sou uma pessoa reservada em relação a sentimentos. Muito mesmo. Se puder, tento ser uma pessoa parca em relação a sentir muitas coisas. Quando sinto, sinto muito, mas diria que os meus sentimentos são mais intensos do que frequentes. Em relação à situação que vivemos tenho andado muito calma. Às vezes acho que devia chorar. Acho que devia olhar para nós, todos de máscara, escondidos em casa de algo que não conseguimos ver, tensos (...)
Mais de duas semanas depois de estarmos em casa com os miúdos ainda nos estamos a adaptar. Tentámos estabelecer uma rotina várias vezes mas, com 3 crianças pequenas, não conseguimos seguir nada muito rígido. Temos sempre o Eduardo a precisar de mais atenção e, mesmo as miúdas, ainda pedem muita atenção individual. Assim, seguimos uma rotina flexível, com tarefas pensadas para cada dia que se vão fazendo conforme a dinâmica do dia e as disposições de cada um. É mais ou (...)
Ele gritou tanto, mas tanto, que eu já estava a ficar desesperada. Fiquei mesmo sem reação! O pai, que estava a trabalhar no quarto (e costuma estar de headphones) veio à cozinha ver o que se passava. Foi, basicamente, isto: O Eduardo lanchou pão integral e 3 bolachas Maria. Ia eu dar-lhe um iogurte natural quando ele começou a gritar: - Pãoooooooo! As irmãs estavam a lanchar também e ainda estavam a comer pão. E o Eduardo não pode ver ninguém a comer se ele não (...)
Inspirada no Raminhos, decidi fazer uns testes à Maria (3 anos). No quarto, com o pai, está a Maria e eu. Digo: - Maria, vai ver se o teu pai está na sala. A Maria, muito séria, a apontar para o pai: - Mãe! O pai está aqui a trabalhar! Chama-me a Lara, da casa de banho: - Mãeeee, já acabei de fazer cocó. Aproveito e peço à Maria: - Maria, por favor, vai limpar o rabo da Lara. Podes ir tu desta vez, por favor? E ela: - Ó mãe, não posso, não sou adulta. E vai-se (...)
É um dos meus objetivos. Não para um ano ou um mês, é algo que procuro todos os dias. Começo por viver com o mínimo de coisas materiais, mas depois quero passar também a levar esta forma de vida a outras áreas: quero viver com o mínimo de stress, o mínimo de preocupações, o mínimo de tensão, o mínimo de informação supérflua, o mínimo de planos e por aí fora. Para já, esta "quarentena" tem-me ajudado a focar no essencial: passar tempo de qualidade com a minha (...)
Todos, sem exceção. De repente, percebemos o valor dos médicos. Mas não só. Percebemos o valor de quem transporta as mercadorias, de quem faz a reposição dos supermercados, de quem nos atende numa caixa de supermercado. Percebemos o valor dos agricultores, dos carteiros, dos estafetas, dos operários fabris, dos polícias, dos professores, dos educadores de infância, dos enfermeiros. Percebemos que, às vezes, as pessoas que lutam muito por melhores condições de trabalho (...)
Cá estamos. Otimistas. A tentar organizar a tropa o melhor possível. Gosto de dizer que estamos bem, o melhor possível. Não sei se é verdade. Estaríamos melhor com um quintal, ou mesmo uma quinta, para os miúdos poderem brincar ao ar livre e correr. Mas estamos bem. O nosso apartamento apanha muito sol o dia todo e já decidi que vou passar a usar fato de banho para a apanhar banhos de sol com uma toalha estendida na cozinha. Estamos otimistas. Pensamos positivo e tentamos fazer (...)
O Milton estava sentado a ver televisão. O Eduardo chega ao pé dele e aponta para uma mancha que temos na manta do sofá e diz: "Ba ba ba ba ba", apontando para a mancha. Depois desapareceu a correr para a cozinha. Voltou a aparecer com um guardanapo de papel na mão, subiu para cima do sofá e começou a esfregar a mancha com o guardanapo de papel. Encara o Milton de frente, como quem quer dizer algo muito importante e repete: "Ba ba ba ba ba ba ba". O Milton olhou para o sofá e, (...)
A Lara tem uma melhor amiga desde que entrou na creche. Na verdade parece ter um grupinho de melhores amigos, mas claramente existe um amiguinho e uma amiguinha que são mais próximos dela. Um dia destes, fizemos uma chamada de vídeo e ela esteve um tempo a falar com a amiga. Mostrou-lhe o quarto, os irmãos, os brinquedos e foram conversando sobre as coisas delas. Foi engraçado ver como a Lara parece uma menina muito diferente a falar com a amiguinha, parece quase uma adolescente, (...)
Cá em casa somos todos fãs assumidíssimos do Tio Jel. Sem censuras, ouvimos tudo. A preferida é o Sal Grosso, até o Eduardo a tenta cantar e, mal vê o vídeo a começar, enceta logo uma dança frenética pela sala. Ultimamente andamos a ouvir mais esta. A Maria costuma pedir da seguinte forma: (...)
De manhã as miúdas veem sempre televisão. Felizmente alinharam os gostos por desenhos animados e, neste momento, são as duas grandes fãs da "Ladybug". Então, pelas 9 horas da manhã, podemos encontrá-las a tagarelar tranquilamente sobre as peripécias da Ladybug. Normalmente, a Maria faz perguntas e a Lara vai-lhe explicando o que está a acontecer. A forma como a Maria olha para a Lara, vendo nela uma verdadeira autoridade sobre o assunto, é uma delícia. São estas (...)
A Lara acabou de fazer 6 anos. Espanta-me, todos os dias, o quanto cresceu e a rapariga em que se está a tornar. Na verdade é bem parecida comigo mas numa versão um milhão de vezes melhor. A Lara é muito tímida mas isso não a impede de fazer amigos e fazer de tudo para os outros se divertirem. Está praticamente sempre a rir e a fazer palhaçadas. De tudo faz uma brincadeira e encontra funções inusitadas para todas as coisas. Adora desenhar, jogar à bola, colecionar (...)
Na segunda semana de quarentena, as rotinas tendem a estabilizar. No trabalho está tudo mais calmo e eu e o Milton já conseguimos definir um horário fixo para trabalharmos os dois de casa. Agora, a prioridade é arranjar forma de manter uma rotina de "escola em casa" com a Lara e a Maria. Não está fácil. Sou uma professora exigente e impaciente. Claramente não tenho qualquer vocação para o ensino. Não é uma novidade. :) O que vale é que o Milton divide também esta tarefa (...)