Aborrecia-me ver os meus filhos a brigar. A baterem uns nos outros. A darem pontapés debaixo da mesa. A mandarem ao chão os brinquedos alheios só para chatear. A chamarem nomes ao outro logo pela manhã, como quem vai ganhando ritmo para um dia longo. Com a mesma facilidade, encontro-os abraçados no sofá. Quando vêm de uma festa, trazem doces para dividir com os irmãos. Se um está sozinho, arrasta-se pela casa a perguntar, de três em três minutos, quando é que os irmãos chegam. S (...)
Um destes dias estava eu a caminhar com a Lara pela cidade. Foi uma caminhada longa, cerca de 25 minutos, desde a escola até casa. Durante o caminho, ela contou-me um episódio que achei muito interessante. Uma aula não planeada, mas muito importanteNesse dia houve um furo na escola: uma professora faltou e foi substituída pela professora de robótica. Aproveitando a hora, a professora decidiu falar com os miúdos sobre o tempo passado em frente a ecrãs — telemóvel, tablet, (...)
Tenho três filhos a estudar: dois no primeiro ciclo e a mais velha já no segundo. Desde a creche que precisam de materiais escolares e, claro, à medida que vão crescendo a lista aumenta. Mas, cá em casa, adotámos uma regra simples: comprar bom material, cuidar dele e aproveitar ao máximo o que já temos. Mochilas que duram anosA mochila da Lara, por exemplo, foi comprada no primeiro ano, não foi barata, mas estamos agora no sexto ano de utilização e continua impecável. Não tem (...)
Não foi planeado, mas está a ser uma das melhores decisões do verão. Decidimos que, em agosto, iríamos ficar com os miúdos em casa, alternando entre dias de férias e teletrabalho. Assim, na maior parte do tempo, eu e o Milton temos trabalhado com três crianças de 7, 9 e 11 anos em casa. No início, estipulámos algumas horas para jogos de computador e televisão, além de tempo de brincadeira livre e algum estudo — apenas alguns livros de exercícios e a prática diária de (...)
"Não se pode proibir. Olha que depois vai ser pior, quando forem mais velhos e tiverem acesso a tudo livremente. Os teus filhos vão revoltar-se por não terem as mesmas coisas que todas as outras crianças. Os teus filhos vão sentir-se excluídos. Agora os miúdos são diferentes do nosso tempo, sabem mais do que nós, e está tudo bem. Eles adaptam-se aos tempos. Não podemos deixá-los parar no tempo." Estas são frases que ouvimos na voz de outros ou da nossa consciência, quando (...)
Cá em casa, desde muito cedo, tentamos educar os nossos filhos para não valorizarem excessivamente o material. Não queremos que desprezem os bens ou que achem que não têm importância — claro que têm —, mas acreditamos que não devem ser o centro da vida nem da felicidade. Não queremos que associem valor ao preço de um brinquedo, à marca de uma roupa ou à quantidade de coisas que têm. Em vez disso, procuramos cultivar neles o apreço por bons momentos, boas experiências, (...)
A minha filha mais velha, a Lara, tem agora 11 anos. Boa parte dos seus amigos e colegas da escola já estão, provavelmente, a entrar na adolescência. Começam a ter comportamentos diferentes, a ficar menos crianças, e passam a interessar-se por coisas mais próprias dessa nova fase. Curiosamente, lembro-me bem de passar por esse momento, embora de forma um pouco diferente. Entrei na escola muito cedo, com 5 anos, mas tive um desenvolvimento perfeitamente normal — apenas um pouco (...)
Sinto que o último verão aconteceu há uma eternidade. Já nem me lembro do que é vestir roupa leve ou passar um dia inteiro ao ar livre com céu azul e calor na cara. Este inverno foi longo — não necessariamente em dias, mas em intensidade. Foi cheio de atividades diferentes, emoções fortes e coisas boas. Fizemos umas férias de inverno em Paris, apanhámos granizo , e vivemos momentos tão bons que fizeram parecer que inverno durava para sempre. Mas aqui na ilha em que (...)
A Lara tem 11 anos. Em teoria, acho que sou mãe de uma pré-adolescente há dois anos, mas nunca o notei. A Lara, para mim, é ainda uma criança. É assim que a vejo e é assim que ela se vê. Parece-me pouco interessada na adolescência e em crescer, assumindo as mudanças que se avizinham com uma resignação despreocupada — típica da sua personalidade. Continua a dar-se muito bem com meninos mais novos do que ela e a gostar, acima de tudo, de brincar, criar coisas e divertir-se. Se (...)
Lembro-me bem de ter 5 anos. Lembro-me de ter a cabeça cheia de dúvidas existenciais, questões filosóficas tão grandes e abrangentes que ainda hoje vivem na minha mente. Curiosamente, o Eduardo, agora com 6 anos, parece ser o meu filho que herdou essa veia filosófica da mãe. Entre as suas muitas perguntas de caráter mais prático, como: “Como é que os peixes respiram?” ou “Como é que vou ganhar dinheiro quando for crescido?”, surgem outras como: “Existe um espírito no (...)