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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Dom | 30.08.15

Brinquedos alternativos para crianças de 17 meses

Reparo agora que, pela primeira vez no blog, refiro-me à minha filha como uma criança e não como um bebé...

 

Está a ficar crescida, parece que toda ela esticou, começa a ter cara de menina e já não a vejo tanto como um bebé.

 

E, à medida que vai crescendo, vai deixando alguns brinquedos de lado e procura, cada vez mais, uma boa novidade (nisso da novidade é capaz de sair toda à sua mãe).

 

Quando já está farta dos seus brinquedos, procuro outras coisas que a possam entreter por uns minutos.

 

Eu e o pai brincamos com ela todos os dias, mas considero importante que ela possa brincar sozinha e usar a sua imaginação sem interferências, descobrindo coisas novas à sua maneira.

 

Neste sentido vou-lhe apresentando algumas coisas com que ela se entretém durante uns bons minutos, às vezes uns 20, enquanto vou fazendo outras coisas. Claro que estou sempre de olho nela, mas deixo-a explorar sozinha as texturas, os cheiros e as cores.

 

Eis, 4 coisinhas que todos temos em casa e servem maravilhosamente de brinquedos para crianças pequenas.

 

O cestinho dos chapéus, cachecóis e gorros

 

Ela adora mexer neste cesto. Tira tudo para fora, volta a colocar lá dentro, põe e tira os gorros da cabeça, mete os cachecóis no pescoço, apalpa aquilo tudo de várias formas e ali fica uns 10 minutos a explorar as texturas dos tecidos.

 

atividades bebé

Cestinho branco da Zara Home.

 

 

Formas de gelado

 

Estas formas de gelado funcionam como uma espécie de brinquedo de construção. A Lara já brinca com isto desde os 9 meses, mais coisa menos coisa. Desmancha aquilo, encaixa as formas umas nas outras e volta a montar tudo outra vez.

 

 

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Formas de gelado do Ikea.

 

Cesto de Molas

 

Este é outro "brinquedo alternativo" que a Lara usa desde os 9 meses. Antes ficava apenas a brincar com as molas e a reparar nas cores. Agora já abre e fecha as molas e gosta de as aplicar nos dedos das mãos.

 

Parece que não a magoam mas, de qualquer forma, estou sempre atenta ao que ela está a fazer. As molas são uma boa forma de ensinar as cores, ensinar a contar e também a arrumar.

 

 

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Molas e cesto da Loja do Chinês.

 

A minha caixa de elásticos e molas de cabelo

 

Neste momento, é o que a entretém durante mais tempo. Ela adora enfiar os elásticos todos nos braços como se fossem pulseiras. Fica imenso tempo naquilo. Depois tira os elásticos dos braços, arruma-os na caixa e volta a desarrumar. Pede-me que lhe ponha as molas no cabelo e tenta colocá-las no meu.

 

Em geral, entretém-se muito tempo a brincar sozinha com isto.

 

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Caixa da da Sephora.

 

Claro que, apesar de deixar a Lara brincar sozinha com estas coisas, estou sempre por perto a ver se não coloca nada na boca, e disponível para brincar se ela pedir.

Sab | 29.08.15

Iogurtes caseiros #1

Iogurtes naturais caseiros
Já tinha experimentado fazer sem iogurteira e não deu muito certo. Desta vez, com a iogurteira, correu tudo lindamente. É muito fácil e ficam mesmo muito bons. Agora que experimentei, duvido que volte a comprar iogurtes no supermercado. O sabor é mesmo muito melhor e mais fresco, é uma diferença muito grande.
Desta vez fiz naturais mas vou, certamente, experimentar muitas variedades.
Passo a descrever o modus operandi:
Misturar um iogurte natural (bem mexido até ficar quase liquido) e um litro de leite gordo.
Distribui-se nos copos de iogurte e vai à iogurteira durante 15 horas.
Depois de arrefecerem, vão para o frigorifico.
Mais simples não há.
Acompanhei o iogurte com nozes em pedaços.
iogurte caseiro com noz
 
Qua | 19.08.15

Sim, não dou doces à minha filha...

E faz-me verdadeira confusão que, por vezes, as pessoas tenham dificuldade em perceber a minha opção.

 

Tenho uma cena com o açúcar. É uma coisa minha, de que já falei aqui várias vezes, que me faz pensar na alimentação da minha filha de uma forma (pelos vistos) muito peculiar.

 

Eu adoro doces. Muito mesmo.Felizmente, o paladar é algo que se "treina" e já não sou tão gulosa como antes. O problema é que não posso comer doces como gostaria e isso não tem sido macio nem sereno. Quem diz doces diz pão, massas, arroz, batatas e hidratos de carbono em geral.

 

De modo que quero, desde já, treinar o paladar da minha filha para as coisas saudáveis.  Para além disso não percebo porque é que, no meu devido juízo, hei-de dar à minha filha alimentos que ela não conhece (por isso não vai pedir por iniciativa própria), dos quais não tem necessidade nenhuma e que, potencialmente, lhe podem prejudicar a saúde? Chamem-me louca ou excêntrica por ter estas ideias parvas.

 

Não julgo (nem nunca me caberia fazê-lo) quem dá doces aos filhos, de uma forma moderada. São opções válidas e que acredito que não prejudicam grandemente as crianças. O segredo está no caminho do meio, já dizia o outro.

 

Por isso, quando achar que chegou a altura certa, a minha filha vai comer doces. Nem que seja para não me envergonhar, saltando para cima da mesa dos bolos, num aniversário qualquer em que descobrir o acúcar, que lhe tento esconder tão severamente.Até lá, vai comendo umas deliciosas tartes de banana e aveia, e uns "calippos" de tangerina caseiros.

 

O gelado, assim que é trincado, desfaz-se na boca em granizado, pelo que não há o perigo do comensal se engasgar. De qualquer forma, testem com os vossos dentinhos antes.

 

A receita do gelado de tangerina é um bocado complexa mas, para os mais destemidos na cozinha, cá vai:

 

Espreme-se uma tangerina e coloca-se o sumo numa forma de silicone em forma de calippo.

 

Vai ao congelador durante umas horas.

 

Retira-se do congelador.Aguardam-se uns minutos para o gelado descolar da forma.Trinca-se a gosto.

 

 

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Comprei a forma no hipermercado continente. Aviso que é um bocado cara: custou 1 euro.

 

 

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Como sou uma pessoa precavida (acreditem ou não) visto-lhe um bibe impermeável para comer o gelado.

Ter | 18.08.15

Fazer praia e campo: check

Nestes dias, o plano tem sido ver a meteorologia e andar por aí.

 

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Praia dos Moinhos, no Porto Formoso

 

Fazer piqueniques nas Sete Cidades.De manhã, fizemos wraps de atum que colocámos numa cesta de piquenique com uma garrafa de vinho tinto, fruta e chocolate preto. Fomos para as Sete Cidades.

 

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Procurar grandes extensões de chão onde a Lara possa correr e rodopiar sem se magoar.Nas margens da Lagoa Azul das Sete Cidades, além da vista ser polvilhada de magia, o chão relvado e plano é ótimo para a Lara correr.

 

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Ler um livro numa esplanada com vista.

 

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Bar do porto da Maia.

Procurar peixinhos dourados na simpática praia do porto de pesca da Maia (Calhau d'Areia).

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Dom | 16.08.15

Comer, Dormir e Explorar nas Sete Cidades

Fiquei tanto tempo sem vir às Sete Cidades que quase me tinha esquecido de como é bonito...

 

O dia esteve ótimo, com sol e sem vento, e aproveitámos para passar longas horas a fazer o que nos apeteceu com uma das mais maravilhosas vistas que deve existir no mundo.

 

As fotos (pelo menos as minhas) não conseguem captar minimamente a beleza do local.

 

O Milton dormiu a sesta, eu aproveitei para ler umas boas dezenas de páginas e a Lara divertiu-se a explorar a natureza.

 

Claro que estávamos sempre perto dela, mas deixei-a explorar um bocadinho as coisas sozinha, à sua maneira e com o seu tempo: adorou rebolar na erva, olhar para as árvores deitada no chão, experimentar todas as funcionalidades de um tronco de árvore cortado, arrancar musgo dos troncos durante um tempo infinito e aumentar a sua coleção de pinhas (que, na verdade, não chegam a entrar em casa).

 

Para variar, não se mostrou aborrecida nem birrenta uma única vez.

 

Um pouco mais à frente do local onde estávamos, vários turistas faziam Stand Up Paddle e andavam de canoa.

 

Para o próximo fim de semana sou capaz de me por em cima de uma prancha daquelas e varrer a lagoa durante uma horinha ou duas.Hão de ouvir falar disso.

 

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Admiro a capacidade masculina de aproveitar qualquer oportunidade para fazer uma soneca.

 

 

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Para a semana sou capaz de colocar um belo de um colete salva vidas e por-me a varrer a água.

 

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Hora do almoço.

Sex | 14.08.15

Sinal claro de que estamos a ficar completamente xexés

 
dormindo em pé
 
 
Naquele dia deitei-me por volta da uma da manhã. O ritual foi o mesmo de todos os dias: adormecida a bebé, é usufruir dos minutos possíveis a ler "Lolita" no iPad (com o brilho no mínimo para não fazer muita claridade).
 
 
Quando começo a trocar as letras das palavras, fecho o iPad e durmo.
 
 

Acordo com a sensação de ter dormido bem.

 

Às vezes acordo com a sensação de ter sido espancada de noite, mas naquele dia pensei: " Que noite bem dormida! Sinto que dormi 8 horas de seguida, que sensação de frescura e vitalidade!". Nisto, sigo com os procedimentos habituais e vou tomar duche.

 

Estava já com o cabelo enfeitado com um lindo turbante de espuma, perdida nos meus pensamentos matinais, quando oiço uma voz masculina, do outro lado da cortina de duche:

 

"Mas tu estás sonâmbula ou quê?!"

 

Mentalmente dou um gigante salto de susto (mania de certas pessoas se movimentarem em completo silêncio!) e começo a imaginar se estarei realmente a dormir e, pior que tudo, o que poderei ter feito durante o meu estado adormecido. Um incêndio, uma inundação, um passeio pela rua em trajes menores? Sim, porque isto de estar a dormir pode dar para tudo, mesmo para as coisas mais escandalosas e estúpidas.

 

Muito medo!

 

"O que é que eu fiz?" pergunto receosamente.

 

"São 3 da manhã." diz ele."Começo a ficar verdadeiramente assustado."

 

E vai-se deitar outra vez.Bem... Já que estava com a mão na massa (leia-se com o corpito de molho), acabei o banho e fui dormir outra vez.

 

Claro que fiquei com um penteado magnificamente volumoso pela manhã.

 

Moral da história: Meses de noites mal dormidas têm, de facto, consequências psicológicas que não devem ser negligenciadas.

Qua | 12.08.15

Férias cá dentro #2

Nestas férias de verão não pudemos viajar, pelo que vamos fazer umas "férias cá dentro".

 

No entanto, quando "cá dentro" significa na ilha de São Miguel, as férias prometem ser fabulosas!Começo a acreditar que não conseguimos sair de cá apenas para termos mais dias para conhecer melhor e usufruir desta ilha que é a minha casa há vários anos.Hoje, contrariando o que costuma ser a minha preferência, fomos  uma praia popular: a praia de Santa Bárbara na Ribeira Grande, na zona norte da ilha.Já lá tinha estado em trabalho, para beber café, ou apenas para passear mas, vai-se lá saber porquê, nunca tinha ido lá mesmo para "fazer praia".

 

Hoje foi o dia.

 

Realmente a praia tem muita gente mas, ao contrário do que esperava, isso apenas a tornou ainda mais interessante e animada.

 

Fartei-me de ver gente bonita e bem disposta como não via há muito tempo por aqui.

 

O bar Tuká Tulá estava cheio mas ainda conseguimos uma mesa de frente para o mar, para beber café e ler um pouco, enquanto a Lara fazia a sua parte, dormindo a sesta no carrinho.

 

O dia estava maravilhoso: o sol temperado com uma brisa agradável não deixava que nos fartássemos do calor; a água, completamente transparente, formava pequenas baías e zonas as altas de areia, fenómeno que sempre adorei  numa praia e nunca tinha encontrado aqui nos Açores.

 

Estão a ver aquelas zonas, depois de uma baía, onde a água pouco passa dos calcanhares, onde várias ondinhas minúsculas se cruzam e podemos caminhar no meio do mar como se estivéssemos num sonho?

 

Provavelmente toda a gente está familiarizada com este "fenómeno" e até nem gostam muito de ter que levar com essa zona alta de areia, mas eu sempre adorei.

 

Deliciei-me a passear com a Lara numa dessas zonas encantadas, rodeada por um mar azul salpicado pela purpurina dourada do sol.

 

O areal é muito extenso e, embora a praia estivesse cheia de gente, existiam zonas sem ninguém, onde  a praia estava quase deserta.

 

Passeámos pela praia toda, a Lara fartou-se de andar e rebolar na areia e eu acho que encontrei a minha "praia popular" preferida.

 

Foram quatro horinhas de "turismo caseiro" extremamente agradável e recomendável.

 

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Seg | 10.08.15

Primeira tarefa de férias realizada com sucesso

Tenho tanto jeito para a decoração como para realizar extrações de apêndice em morsas, o que quer dizer que um quarto decorado por mim pode ser uma coisa (no mínimo) cómica.

 

Mas, sendo que tenho uma filha, e ela tem que dormir em algum lado, fiz um esforço maternal para tornar o seu quarto um lugar minimamente aprazível.

 

De modo que um dos itens da lista de coisas a fazer para esta semana de férias seria montar a cama dela e "dar um jeito no quarto".

 

Móvel para lá, móvel para cá, roupas e brinquedos que já não são usados num canto do armário, autocolantes na parede, caminha montada, almofadas várias para cima da cama, e eis que conseguimos arrumar tudo numa manhã.

 

Optámos por uma caminha baixa, com o colchão  em cima de um estrado que comprámos no ikea. Achamos mais seguro e também mais bonito. Já tinha visto algumas ideias assim pela Internet e uma amiga usa o mesmo sistema pelo que, na hora de decidir que tipo de cama queríamos, não tivemos grandes duvidas.

 

Neste momento, a Lara ainda dorme no parque. Acho que vou deixar que ela cresça o suficiente para não caber lá deitada para a mudar para a cama.

 

Para já, o quarto fica arrumadinho e com cara de quarto de menina.Gostámos do resultado final.

 

A Lara também gostou.O gato também. Tanto que trocou o sofá da sala pelo quarto da Lara, onde passa parte da noite.

 

 

quarto Lara 7

Almofadas da Loja do Gato Preto, Oysho e Primark; colcha da Gocco e autocolantes de parede da Light in the Box.

Sab | 08.08.15

Planos para as férias que começam hoje

1- Ler muito, mesmo muito.

 

Estou sempre a ler um livro. Sempre.Acabarei hoje o livro"No meu tempo", de Carolina Cordeiro, uma história de amor que tem lugar na ilha de São Miguel, no séc. XIX. A 10 páginas do fim, posso dizer que gostei bastante.

 

 

Seguir-se-ão: "Galveias" de José Luís Peixoto e "Cornos" de Joe Hill, um dos filhos de Stephen King.

 

Estou muito ansiosa por começar a lê-los. Foram muito bem recomendados pelas últimas pessoas que os leram.

 

 

2- Passar muitas horas nas minhas praias preferidas dos Açores que, geralmente, ficam em lugares mais isolados e distantes de Ponta Delgada.

 

 

praia

 

3- Fazer piqueniques. É já hoje.

 

4- Fazer o primeiro TPC da Lara.

 

Já estou a sentir aquele nervoso miudinho e o peso da responsabilidade de fazer algo para ela, que vai estar exposto. Não quero envergonhar a cara da miúda, mas o meu jeito para trabalhos manuais terá ficado algures numa aula de Educação Visual do 7º ano. Vamos ver. Se não ficar muito mal mostro-vos aqui o resultado.

 

trabalhos manuais

 

5- Aprender uma receita nova.

 

Estou a dizer há meses que quero aprender a fazer boa comida vegetariana, que preciso de alterar os menus aqui da casa, bla, bla, bla. Há-de se ouvir falar.

 

6- Arrumar o quarto da Lara: Montar a cama grande, colar autocolantes nas paredes, alterar completamente a disposição dos móveis, repensar a arrumação de tudo. Isto é capaz de demorar.

 

7- Experimentar um restaurante novo. Como vamos fazer "férias cá dentro" vamos guardar a loucura dos gastos para conhecer um restaurante novo. Estamos a pensar no Reserva, aqui em Ponta Delgada. Depois conto-vos tudo.

 

E é isso.São planos modestos mas é exatamente aquilo que me apetece fazer nesta semana.

 

Apetecem-me coisas simples, que se possam fazer com calma, que mexam um pouco com a  criatividade e, ao mesmo tempo, não me façam mexer muito.

Sex | 07.08.15

Contos #4 Purga

A meia dúzia de domingos de verão em que nos levantamos de madrugada e saímos de casa ainda de noite, para estar na Costa da Caparica às oito horas, são os dias mais felizes da minha infância. Hoje, a minha melhor amiga vai connosco. Estou tão feliz, aos treze anos, a correr atrás de memórias que nunca vão existir!

 

Enfio a minha euforia na mochila, materializada numa boia gigante em forma de tartaruga ninja. Vou galgar ondas em cima dela! Sentamo-nos no melhor metro quadrado de areia dourada e macia da praia e, com o espírito inchado de entusiasmo, sopramos à vez para dentro do gigante insuflável. Chegam cada vez mais pessoas.

 

À nossa frente, três jovens de dezoito anos, um casal e uma rapariga, tapam-me a vista e a leveza de alma. Em menos de três segundos, com sorrisos trocistas e expressões de gozo, colocam a nú a verdade da nossa condição. Adolescentes já com corpo de mulher a brincar como crianças com um brinquedo parvo de saloias, a soprar até à exaustão numa disformidade verde.

 

Doí-me na alma o reflexo que tenho de mim. A boia, inerte e triste, abandonada ao lado do saco das sandes, já não serve para nada. Eu e a Ana amuadas. Desejo com toda a força e humilhação da minha mente que eles implodam. Um alvoroço à distância espanta-me momentaneamente os desejos.

 

Um labrador excessivamente gordo corre pela praia cheia de gente. Em camara lenta… muito lenta… É assim que o vejo, com as patas enormes, a aterrar nas costas da rapariga que sorria da minha tartaruga ninja. Sem incomodar mais ninguém, segue o seu caminho. Ela geme. Ele sopra pateticamente para as costas dela. Arrumam apressadamente as coisas. Irão ao hospital.

 

Apoiada ao namorado, a coxear, ela lança-me um olhar dolorido. Desaparecem e, no lugar deles, deixam uma vista mais ampla para o mar.

 

Viro-me para a Ana: “Que limpeza!”

Qui | 06.08.15

Palmadas educativas?!

palmada 2 

 

Não sou a favor de castigos corporais. Nem de gritos. Nem de admoestações que acabem com a caracterização de uma criança como: "mau", "feio", "burro" ou outras pérolas de simpatia.

 

Frases como: "Levei umas palmadas em criança e só se perderam as que caíram no chão" fazem-me tanto sentido como dizer: "A próxima vez que me atenderem mal no supermercado, levam um sopapo para aprenderem como devem tratar um cliente."

 

As palmadas de que falo são mesmo as "palmadinhas para sacudir as moscas da fralda", são as que não se sentem, as que não doem, porque palmadas que magoem mesmo a criança passam a deixar de ser um ato sujeito a opinião para ser um ato sujeito a punição legal.

 

 

 

Eis os meus argumentos contra o uso de "palmadas" na educação de crianças:

 

- A melhor forma de educar uma criança é pelos nossos atos, não pelas nossas palavras. Não adianta pedir-lhe para arrumar os brinquedos se nós, pais, deixarmos as nossas próprias coisas desarrumadas pela casa.

 

Da mesma forma, se batemos aos nossos filhos quando fazem algo que não achamos correto estamos a dizer-lhes que é correto usar força física quando alguém faz alguma coisa que não nos agrada.

 

- Nós não batemos (ou concordamos que não o devemos fazer) aos nossos companheiros, aos nossos pais, aos nossos colegas de trabalho. Não batemos aos desconhecidos que, por vezes, se cruzam connosco e têm atitudes antipáticas ou menos corretas. Então porquê batermos aos nossos filhos, as pessoas que mais amamos no mundo?

 

- Todos desejamos que os nossos filhos nos admirem e nos respeitem. Também queremos que sejam pessoas honestas, educadas e com bom caráter. Vamos leva-los a agir da forma que achamos correta por acreditarem mesmo nos atos ou por terem medo de levar uma palmada?

 

- Existem pais que aplicam, calmamente, palmadas aos seus filhos como quem está a proceder de acordo com uma escola de educação milenar, aplicada com sucesso, a eles próprios. Esses pais encaram a palmada como um ato de amor. São aqueles que dizem: "Que lhes dói mais a eles que as filhos, as palmadas." Tenho a certeza que não o fazem por outra coisa que não a firme convicção de estarem a fazer o melhor pelos filhos.

 

Nisto sou um pouco radical, admito, mas o que depreendo é que estão a ensinar aos filhos que as pessoas que mais amor têm por eles batem-lhes em nome desse amor. Batem-lhes, porque é necessário, embora os amem. Estão a ensinar-lhes que está ok bater em alguém que amamos. Isto soa um bocado mal, não vos parece? Parece uma cena manhosa que os "homens" (ou mulheres) dizem à companheira (ou companheiro) depois de lhes aplicarem um tabefe.

 

Então como educar quando eles fazem grandes birras e não cedem a qualquer tipo de explicação ou tentativa de conversa da nossa parte? Com todo o amor que temos por eles.

 

Com todo o amor, paciência e tempo que eles merecem. Demonstrando que os seus atos têm consequências. Demonstrando que o amor que temos por eles é incondicional, que os amaremos sempre, mas quando se portam mal existem consequências.

 

Não digo que nunca vá gritar com a minha filha ou dar-lhe uma palmada. Eu não posso prever isso, pode acontecer. Posso estar especialmente mal humorada, cansada ou stressada e não conseguir reagir com a calma necessária a uma birra. Mas vou tentar evitar isso ao máximo.

 

Neste momento a minha filha tem 16 meses e, nunca me passou pela cabeça dar-lhe uma palmada ou gritar-lhe. Ela tem dias particularmente difíceis, mas as suas birras ainda me dão mais vontade de rir do que aborrecimento.

 

O que faço é impedi-la de proceder mal quando insiste em fazê-lo. Se mexe onde não deve, afasto-a do local.   Quando começa a tentar pisar os livros ou o iPad, explico-lhe porque não o deve fazer e, se insistir no comportamento, retiro-lhe o objeto, mesmo que chore muito. Tenho esperança que perceba que, se continuar a proceder de uma forma que eu considero desadequada, vai ter consequências que lhe serão desagradáveis, embora delas nunca faça parte um ato agressivo ou menos amor por ela.

 

Vamo-nos entendendo, para já.

Ter | 04.08.15

Downton Abbey

downton abbey

 

Quando o Milton apareceu com esta série cá em casa, não dava nada por ela.

 

O cenário não podia ser mais desinteressante: os dramas de uma família aristocrática inglesa, no início do século XX. Não obrigado.

 

No entanto, numa altura em que não havia mais nada para ver, lá marcharam um, dois, três episódios.

 

E não é que gostei?

 

O argumento não é nada de especial. Embora a ação se insira numa altura relevante da história, que apanha a 1ª guerra mundial, todo o drama é passado à volta de pequenas intrigas familiares e entre os serviçais da casa.O grande ponto forte da série é a produção, magnífica, e as interpretações brilhantes de todo o elenco.

 

É isso que nos prende àquelas personagens: umas tão semelhantes a alguém que conhecemos ou a nós próprios, outras tão distantes da nossa realidade que nem entendemos que possam sequer ser inspiradas em alguém real.

 

Gosto desta série sobretudo pela realidade que me mostra de um ambiente ao qual sou tão avessa: o da nobreza e das pessoas que vivem de títulos, e são reverenciadas por uma superioridade que lhes chega mais através de uma tradição do que através do mérito. Delicio-me com aquelas vidas, onde a etiqueta e as regras são levadas com uma seriedade que, à luz dos nossos dias, faz tanto sentido como comer bananas com favas guisadas.

 

Depois, aprecio bastante aquilo em que a série se assemelha com a realidade que é a caracterização da natureza humana, nas suas vertentes mais flagrantes: as intrigas entre as pessoas, a rivalidade entre irmãs que roça, muitas vezes, uma maldade ingénua, as amizades verdadeiras entre homens e mulheres que acabam de se conhecer, a virtude que atravessa classes e poderes e faz com que nobres e criados troquem opiniões e partilhem direitos e deveres como iguais (é compararem com os nossos dias e verificarem com a evolução da educação e dos valores humanistas se faz no sentido inverso à evolução da tecnologia).

 

É espantosa a forma solene como um conjunto de pessoas leva uma existência totalmente inútil, cercada por uma criadagem orgulhosa de uma série de funções servis, de tanta utilidade pública como as funções dos seus "senhores". E, os nobres, vivem todos muito alegres e felizes, horrorizados com a ideia de alguém do seu nível poder "ter um emprego" ou sequer um acto de voluntariado num hospital ou outra instituição de utilidade ao próximo.

 

À parte destas considerações todas, consolo-me a ver a vida daquelas pessoas num castelo, com criados pessoais para vestir, pentear, para conversar, preparar o banho, servir as refeições, anunciar as visitas, governar a casa, dar conselhos pessoais.

 

Adoro aquelas paredes em tons de pastel, as roupas das mulheres, sempre impecáveis, os chapéus, as chávenas de chá, todas trabalhadas e cheias de rococós, a forma como se sentam, como se mexem e como se zangam, sempre muito elegantes e calmos e contidos.

 

É delicioso tentar imaginar que aquela forma de estar existe mesmo.

 

É uma novela bastante engraçada, portanto.

Dom | 02.08.15

Adormecer um bebé em 10 minutos (ou menos)

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Imagem de www.semprematerna.com.br

 

Quando a Lara nasceu, e durante as primeiras semanas, dormia o tempo quase todo. Acordava de noite para mamar mas dormia muito durante o dia, fazendo uma grande sesta de manhã e outra de tarde.

 

Não tinhamos propriamente rotinas de sono. Era mais ou menos como calhava. Ela mamava  de 2 em 2 horas ou de 3 em 3 e dormia sempre que queria.

 

Depois, vieram as cólicas e chegava a ficar acordada até às 3 da manhã.

 

As cólicas duraram mais ou menos um mês e meio mas, a partir daí e até fazer 1 ano, os sonos durante a noite eram sempre interrompidos  2, 3 ou 4 vezes. Uma noite em que a Lara acordasse apenas uma vez e em que nós dormíssemos 4 horas seguidas, era um sonho.

 

Para a adormecer de noite tentávamos de tudo: cantar, embalar, gravámos horas de ruído branco, no iPad, que deixávamos no quarto (o que resulta lindamente nos primeiros 2 meses, mas depois perde efeito gradualmente). O que resultava num dia, já não resultava no dia seguinte.

 

A Lara não adormecia sozinha. Sempre a embalámos (se não adormecesse a mamar). Chegámos a tentar o Método Estivill, mas não conseguimos ouvi-la a chorar por mais de 5 minutos e desistimos à primeira.Até que percebemos, por acaso, o que a punha mesmo a dormir e resultava sempre.

 

Quando estava em casa com a Lara e ela era muito pequena para fazermos grandes brincadeiras juntas, eu tentava inventar formas de fazer algo que fosse aprazível para mim e para ela ao mesmo tempo. Uma das coisas que pensei fazer, era ver concertos inteiros na televisão, todos os que nunca tinha tempo de ver, e dançar com ela ao mesmo tempo. Logo na primeira tentativa, ela adormeceu ao fim de poucos minutos. Simplesmente encostava a cabeça ao meu ombro e dormia. Até hoje.

 

Depois de fazer um ano, ela começou a dormir sozinha, pelas 21h00. Dou-lhe de mamar, ponho-a na cama com a chucha e o coelhinho preferido, e ela acaba por dormir sozinha ao fim de algum tempo. O que se passa é que à tarde, às vezes ela não quer dormir. Por norma tem sono pelas 14h00 e dorme 2 horas. Mas, às vezes, são quase 16h00 horas e ela cheia de genica. Então é só colocar um concerto no iPad (convém ser um concerto ao vivo, não sei bem porquê, acho que ela gosta de ver as pessoas a mexer) dançar com ela ao colo durante uma ou duas músicas, dar de mamar um bocadinho e já está. Com ela, funciona sempre. raramente é necessário mais do que 10 minutos.Para a Lara tem que ser música "acelerada" como technno minimal. Usamos muito boiler rooms como esta.

 

Hoje, ela dorme das 21h00 às 8h00 e, de tarde, faz uma sesta de 2 a 3 horas.

 

Nota:A Lara começou a dormir melhor de noite quando foi para o quarto dela e deixou de dormir num berço. Passou a dormir no parque em que colocámos espuma em jeito de colchão.

 

Não sei bem se foi isso que a ajudou a dormir melhor. Tenho ouvido várias histórias de crianças que passaram a dormir melhor quando foram para o quarto.

 

Ela também se mexia muito de noite e, no berço, batia com a cabeça ou os braços nas grades laterais (mesmo com as proteções) e no parque isso não acontece porque aquilo é tudo de tecido flexível.

 

Ela já está  a ficar do tamanho do parque e em breve vai passar para uma cama maior. Vamos optar por uma cama no chão.