Quando o Eduardo ainda era um bebé de colo, talvez com um ano e meio, nós estávamos a passear no parque urbano, com ele no carrinho. Ele tinha uma bolacha na mão e encontrámos um amigo nosso, com um labrador jovem. O labrador, cheio de energia, roubou a bolacha da mão do Eduardo. E ele, que gosta muito de comer, ficou muito ofendido com a situação. Desde então, não gosta de cães e tem mesmo muito medo deles. No outro dia, fomos dar um passeio de bicicleta com um vizinho nosso, (...)
Aborrecia-me ver os meus filhos a brigar. A baterem uns nos outros. A darem pontapés debaixo da mesa. A mandarem ao chão os brinquedos alheios só para chatear. A chamarem nomes ao outro logo pela manhã, como quem vai ganhando ritmo para um dia longo. Com a mesma facilidade, encontro-os abraçados no sofá. Quando vêm de uma festa, trazem doces para dividir com os irmãos. Se um está sozinho, arrasta-se pela casa a perguntar, de três em três minutos, quando é que os irmãos chegam. S (...)
Guardar dinheiro é uma prioridade aqui em casa por três razões essenciais: 1. Porque queremos que sobre ao final do mêsSomos uma família de cinco (dois adultos e três crianças), e gerir o orçamento familiar com equilíbrio pode fazer a diferença entre viver com stress ou com tranquilidade. Queremos investir naquilo que valorizamos: férias em família e atividades extracurriculares para os nossos filhos, especialmente nas áreas do desporto e das artes. 💡 Dica:Existem (...)
Um destes dias estava eu a caminhar com a Lara pela cidade. Foi uma caminhada longa, cerca de 25 minutos, desde a escola até casa. Durante o caminho, ela contou-me um episódio que achei muito interessante. Uma aula não planeada, mas muito importanteNesse dia houve um furo na escola: uma professora faltou e foi substituída pela professora de robótica. Aproveitando a hora, a professora decidiu falar com os miúdos sobre o tempo passado em frente a ecrãs — telemóvel, tablet, (...)
A vontade de ter sempre o melhorTalvez seja por serem três, por terem idades tão próximas, ou talvez seja simplesmente por serem crianças, e muitos adultos também são assim, mas noto que os meus filhos tentam sempre ficar com a melhor parte de qualquer coisa. Pode ser o melhor lugar no carrossel, a panqueca mais bonita da travessa ou a cor de bola saltitona preferida num conjunto de bolas. Acho normal procurarmos o melhor de cada situação. Mas quando isso implica concorrência com (...)
Não foi planeado, mas está a ser uma das melhores decisões do verão. Decidimos que, em agosto, iríamos ficar com os miúdos em casa, alternando entre dias de férias e teletrabalho. Assim, na maior parte do tempo, eu e o Milton temos trabalhado com três crianças de 7, 9 e 11 anos em casa. No início, estipulámos algumas horas para jogos de computador e televisão, além de tempo de brincadeira livre e algum estudo — apenas alguns livros de exercícios e a prática diária de (...)
"Não se pode proibir. Olha que depois vai ser pior, quando forem mais velhos e tiverem acesso a tudo livremente. Os teus filhos vão revoltar-se por não terem as mesmas coisas que todas as outras crianças. Os teus filhos vão sentir-se excluídos. Agora os miúdos são diferentes do nosso tempo, sabem mais do que nós, e está tudo bem. Eles adaptam-se aos tempos. Não podemos deixá-los parar no tempo." Estas são frases que ouvimos na voz de outros ou da nossa consciência, quando (...)
Este mês fiquei sozinha com os meus três filhos durante alguns dias. Eles já estão de férias escolares, mas eu ainda estou a trabalhar. Tirei um dia de férias, mas nos restantes dias fiquei em teletrabalho, com eles em casa. Os meus filhos têm entre 6 e 11 anos. Já são crescidos o suficiente para se entreterem sozinhos, mas, ao mesmo tempo, a combinação de três crianças cheias de energia e em idades próximas pode ser um verdadeiro caos. Confusão, barulho, brigas, (...)
Cá em casa, desde muito cedo, tentamos educar os nossos filhos para não valorizarem excessivamente o material. Não queremos que desprezem os bens ou que achem que não têm importância — claro que têm —, mas acreditamos que não devem ser o centro da vida nem da felicidade. Não queremos que associem valor ao preço de um brinquedo, à marca de uma roupa ou à quantidade de coisas que têm. Em vez disso, procuramos cultivar neles o apreço por bons momentos, boas experiências, (...)
Há 20 anos, trabalhei numa loja de roupa no Colombo. Era uma loja de roupa de criança, um pouco mais cara, por isso não atraía demasiadas pessoas. Isso fazia com que passasse por longos períodos sem movimento, de aborrecimento total, que eu tentava colmatar fazendo pequenos riscos verticais num papel a cada meia hora, como via os prisioneiros fazerem nos filmes. Era a minha forma de confirmar que o tempo ia passando, apesar da minha mente sentir que ele tinha congelado naquele (...)