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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Qui | 31.07.25

Trilho em Família: Rocha da Relva com Crianças (Sim ou Não?)

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Num dos últimos fins de semana, decidimos fazer um trilho em família. A Lara já andava a pedir há algum tempo, e com o bom tempo a convidar, parecia a oportunidade perfeita. Vivendo nos Açores, onde não faltam trilhos lindíssimos, estas caminhadas são sempre uma ótima forma de aproveitar a natureza e o tempo em família.

Já tínhamos feito outros trilhos com os miúdos, como nas Furnas e à volta de lagoas — trilhos fáceis, sem grande dificuldade. Mas, desde que o Eduardo tinha uns 4 ou 5 anos, deixámos de fazer caminhadas mais longas. Estava na altura de retomar!

O Milton queria ir à Lagoa do Fogo, mas o único trilho que conheço lá não me pareceu apropriado para crianças. A última vez que o fiz, há uns 10 anos, não era nada fácil — muito inclinado, caminhos pouco sinalizados, zonas quase verticais… Apesar de estar classificado como “fácil”, eu lembrava-me bem da dificuldade.

Optámos então por um trilho que já conhecíamos: o da Rocha da Relva. Lembrava-me de o percurso ser exigente, especialmente na subida, mas também de ser lindíssimo e diferente de outros trilhos. A paisagem geológica é fascinante, com escarpas onde se veem várias camadas de solo e pedras perfeitamente redondas junto ao mar. Há também casas e quintas pitorescas e, com sorte, até se encontra um burro — um meio de transporte comum naquela zona de acesso difícil, onde circulam essencialmente motas ou… burros.

A Caminhada

Fomos todos: eu, o Milton e os três miúdos — o Eduardo (6), a Maria (9) e a Lara (11). Houve algumas queixas (da Maria, claro!), mas no geral portaram-se muito bem. Fizemos praticamente todo o trilho, só deixámos de fora uns metros finais que não tinham grande interesse. O último ponto a que chegámos foi uma zona de descanso encantadora, com bancos de madeira debaixo de uma árvore.

A descida fez-se bem, mas o trilho exige atenção. Há zonas estreitas, com cerca de um metro ou metro e meio de largura, junto a precipícios sem qualquer proteção. Embora não me parecesse fisicamente perigoso, psicologicamente deixou-me desconfortável. Se me lembrasse melhor do caminho, talvez não tivesse levado os miúdos.

O percurso está classificado como de dificuldade média, e parece-me justo. Não é perigoso se formos cautelosos, mas não recomendaria para crianças muito pequenas. Apesar disso, os nossos portaram-se lindamente — deram as mãos, prestaram atenção, e intuiram bem onde era necessário maior cuidado.

Dicas úteis (sobretudo com crianças):

  • Levem água (essencial!). Há fontes no fim do trilho, mas não contem com isso.

  • Levem lanchinho, principalmente com crianças.

  • Usem ténis confortáveis — nada de chinelos! O caminho tem pedras soltas, folhas secas e terra solta, o que pode torná-lo escorregadio em algumas partes. Isso pode ser um pouco chato (e preocupante) para quem leva crianças pequenas, que podem derrapar com mais facilidade.

  • Apliquem protetor solar antes de sair e levem chapéu.

  • Roupa leve chega, se o tempo estiver quente.

  • casa de banho no final do trilho e um pequeno bar (aparentemente só funciona com reserva).

  • O trilho é pouco frequentado, o que o torna muito tranquilo.

  • Atenção às motas: passámos por algumas e é preciso sair do caminho para as deixar passar em segurança.

Subida final: a parte mais dura

Na volta, a subida foi exigente mas gerível. Fizemos pequenas pausas — subíamos uns 50 ou 100 metros, depois parávamos 2 ou 3 minutos. Repetimos isso umas 5 vezes e correu surpreendentemente bem. O trilho todo levou cerca de 2 horas e meia a 3 horas, com paragens para lanchar e apreciar a paisagem.

Então… é um trilho para crianças?

Depende. No nosso caso correu bem — o Eduardo tem 6 anos, a Maria 9 e a Lara 11 — mas não é um trilho para qualquer criança nem para qualquer família. Não é perigoso no sentido físico direto, mas obriga a atenção constante. Se forem muito cautelosos (como eu costumo ser), talvez prefiram esperar até os miúdos serem um pouco mais velhos.

A paisagem é única e vale a pena. É diferente dos trilhos interiores, mais florestais, e oferece um contacto muito especial com o lado mais agreste e isolado da ilha. Se forem preparados — e souberem ao que vão — pode ser uma experiência inesquecível.

Se alguém já fez este trilho com crianças pequenas, partilhem a vossa experiência! Será que estou a ser demasiado cautelosa… ou apenas realista?

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