Não foi planeado, mas está a ser uma das melhores decisões do verão. Decidimos que, em agosto, iríamos ficar com os miúdos em casa, alternando entre dias de férias e teletrabalho. Assim, na maior parte do tempo, eu e o Milton temos trabalhado com três crianças de 7, 9 e 11 anos em casa. No início, estipulámos algumas horas para jogos de computador e televisão, além de tempo de brincadeira livre e algum estudo — apenas alguns livros de exercícios e a prática diária de (...)
A Lara tem 11 anos. Em teoria, acho que sou mãe de uma pré-adolescente há dois anos, mas nunca o notei. A Lara, para mim, é ainda uma criança. É assim que a vejo e é assim que ela se vê. Parece-me pouco interessada na adolescência e em crescer, assumindo as mudanças que se avizinham com uma resignação despreocupada — típica da sua personalidade. Continua a dar-se muito bem com meninos mais novos do que ela e a gostar, acima de tudo, de brincar, criar coisas e divertir-se. Se (...)
Lembro-me bem de ter 5 anos. Lembro-me de ter a cabeça cheia de dúvidas existenciais, questões filosóficas tão grandes e abrangentes que ainda hoje vivem na minha mente. Curiosamente, o Eduardo, agora com 6 anos, parece ser o meu filho que herdou essa veia filosófica da mãe. Entre as suas muitas perguntas de caráter mais prático, como: “Como é que os peixes respiram?” ou “Como é que vou ganhar dinheiro quando for crescido?”, surgem outras como: “Existe um espírito no (...)