Não sei se isto é um defeito, um tique ou algo que fui aprendendo com o tempo. Quando me dizem: “Vai por ali”, eu quase sempre pergunto: “Porquê?”. E mesmo que todos à minha volta sigam por ali, eu ainda vou perguntar “porquê” e “para quê”. Ao longo da minha vida, fiz muitas coisas de forma diferente da maioria. Outras, fiz exatamente como os outros. Mas fui eu que escolhi, sempre, o caminho. Sabia também que tinha de ir com os meus próprios pés e com os meus (...)
Com 13 anos comprei uma camisola de gola alta preta. E, pela primeira vez, comecei a sentir algum conforto na minha pele. Não por a camisola ser especialmente confortável ou por as roupas anteriores não serem macias, mas por ter encontrado uma peça de roupa com a qual me sentia realmente bem. Antes disso, lembro-me de, sem saber ao certo o que estava a fazer, tentar seguir algumas modas. Lembro-me da minha mãe, com uma paciência que só o amor maternal explica, a pintar vários (...)
A vontade de ter sempre o melhorTalvez seja por serem três, por terem idades tão próximas, ou talvez seja simplesmente por serem crianças, e muitos adultos também são assim, mas noto que os meus filhos tentam sempre ficar com a melhor parte de qualquer coisa. Pode ser o melhor lugar no carrossel, a panqueca mais bonita da travessa ou a cor de bola saltitona preferida num conjunto de bolas. Acho normal procurarmos o melhor de cada situação. Mas quando isso implica concorrência com (...)
No artigo anterior que escrevi para este blogue falei sobre o facto das pessoas utilizarem de uma forma abusiva as espreguiçadeiras à volta da piscina. Hoje gostaria de relatar um episódio que ocorreu nas férias deste ano, e que pode servir para refletir mais um pouco sobre esta questão. Eu e a minha sogra estávamos num hotel, de férias, e apeteceu-nos desfrutar de uma bebida enquanto os miúdos estavam na piscina. Com os copos na mão, fomos procurar um local para nos sentarmos. (...)
Estive de férias com a minha sogra, os meus filhos e o meu namorado e, como acontece, há sempre umas situações caricatas que acontecem nas férias. Uma das coisas que me intriga é a forma como as pessoas se agrupam à volta da piscina ou dos espaços comuns. A forma como as pessoas gerem a sua presença nesses espaços, nomeadamente nas espreguiçadeiras ou outras mesas disponíveis, perto do bar, perto da piscina, perto das zonas de lazer. O ano passado, nas férias que fiz, eu (...)
"Não se pode proibir. Olha que depois vai ser pior, quando forem mais velhos e tiverem acesso a tudo livremente. Os teus filhos vão revoltar-se por não terem as mesmas coisas que todas as outras crianças. Os teus filhos vão sentir-se excluídos. Agora os miúdos são diferentes do nosso tempo, sabem mais do que nós, e está tudo bem. Eles adaptam-se aos tempos. Não podemos deixá-los parar no tempo." Estas são frases que ouvimos na voz de outros ou da nossa consciência, quando (...)
Esta é a pergunta que parece importar no fim. Provavelmente, já todos ouviram falar da série “do momento”: Adolescência. Muito resumidamente, trata-se de uma série de quatro episódios sobre os motivos que levaram um adolescente de 13 anos a matar uma colega da escola. É um drama que se centra no impacto psicológico desta tragédia sobre a família e, principalmente, sobre o pai do rapaz que comete o crime. “Onde é que errei como pai?” é a pergunta duríssima que fica no ar. (...)
Sobre esta questão, que está a ganhar uma popularidade desmesurada em relação ao interesse público que tem comparado a outras questões, apraz-me opinar um pouco. Sou a antítese de um simpatizante do Chega. Discordo de praticamente tudo na postura do partido. Não me identifico em nada com as pessoas que votam no Chega, embora tenha algumas entre pessoas chegadas e de quem gosto (todos têm aquele tio do amigo e aquele amigo do amigo). Não acho que quem cometa pequenos ou grandes (...)
Num mundo onde o tempo é um recurso escasso e o trabalho domina a maior parte do nosso dia, é fácil perder de vista o que realmente importa. E quando se trata de criar e educar os nossos filhos, percebo que é o tempo que se torna o recurso mais valioso, até mais do que o dinheiro. Atualmente, com os horários de trabalho cada vez mais longos e as exigências constantes da vida profissional, sinto que o tempo que tenho com os meus filhos é uma corrida contra o relógio. Passamos os (...)
Imaginemos as nossas férias ideais. Como seriam as vossas? Para mim (perguntou... ninguém), estar de férias é estar deitada, numa bela espreguiçadeira à beira de uma piscina bonita, a ler um livro e a beber uma cerveja belga, enquanto os meus filhos brincam na água. Isso é que são umas férias agradáveis. Felizmente, tive uns dias desses na semana passada. Estive agradavelmente instalada a ler um meu belo livro. Mas também existiu uma ocasião em que estive sentada, na toalha, (...)