Sinto que o último verão aconteceu há uma eternidade. Já nem me lembro do que é vestir roupa leve ou passar um dia inteiro ao ar livre com céu azul e calor na cara. Este inverno foi longo — não necessariamente em dias, mas em intensidade. Foi cheio de atividades diferentes, emoções fortes e coisas boas. Fizemos umas férias de inverno em Paris, apanhámos granizo , e vivemos momentos tão bons que fizeram parecer que inverno durava para sempre. Mas aqui na ilha em que (...)
Já não me lembro bem quando começou esta tradição cá em casa, mas existe desde que a Lara, a nossa filha mais velha (hoje com 11 anos), era pequena. A ideia surgiu da nossa vontade de reduzir o consumo excessivo de doces (que acabavam sempre por ser comidos mais pelos pais do que pelos miúdos) e de promover algo que valorizamos muito: o gosto pela leitura. Claro que não queremos que os nossos filhos passem a Páscoa sem chocolates ou doces — mas a verdade é que os chocolates (...)
Quando era pequena, antes de entrar para a escola primária, tinha uma “ama”, que era, na verdade, uma vizinha que não trabalhava e tomava conta da sua neta, que tinha a mesma idade que eu. Quando me lembrava dela, costumava pensar que não era muito simpática, porque ajudava a neta a ganhar-me em jogos de cartas e, em conversa com outras vizinhas, comentava — mesmo à minha frente — que eu era uma “Maria Rapaz”: muito irrequieta e sempre toda suja de andar a trepar árvores (...)
Quando está sem saber o que fazer, num intervalo entre uma brincadeira e outra, a Lara começa a construir todo o tipo de coisas. Já perdi a conta de tudo o que ela tem criado, mas, de vez em quando, lembro-me de fotografar as suas obras, para que possamos recordá-las mais tarde. Este bichinho, segundo as palavras da Lara, serve para fazer companhia quando nos sentimos sozinhos e para apertarmos. Ela fez o bichinho ontem, mas hoje acrescentou-lhe uma varinha mágica, feita com um (...)
Basta deixá-la usar a criatividade. Deixei a Lara na cozinha durante uns minutos e, quando regressei, estava a fazer uma torre de lápis de cor. Às vezes o melhor que fazemos é deixá-los brincar como bem entendem (dentro dos limites que consideramos razoáveis). No útimo fim-de-semana, por exemplo, deixei-a brincar numa poça de lama num parque a que fomos. Ela aproveitou a lama e algumas pedras para fazer um castelo. Sujou-se toda, mas divertiu-se muito. A roupa... lava-se.