A minha primeira experiência de amizade espontânea, aquelas que não são facilitadas pela amizade dos pais ou por laços de sangue, foi aos cinco anos, quando entrei para a escola primária. Não me lembro bem de como começou, mas lembro-me da sensação aconchegante que a presença da Madalena provocava. A Madalena era um colo de mãe em forma de menina de seis anos. Generosa, sorridente, tranquilizadora, aquela menina representou os únicos momentos de conforto e alegria que (...)
A vontade de ter sempre o melhorTalvez seja por serem três, por terem idades tão próximas, ou talvez seja simplesmente por serem crianças, e muitos adultos também são assim, mas noto que os meus filhos tentam sempre ficar com a melhor parte de qualquer coisa. Pode ser o melhor lugar no carrossel, a panqueca mais bonita da travessa ou a cor de bola saltitona preferida num conjunto de bolas. Acho normal procurarmos o melhor de cada situação. Mas quando isso implica concorrência com (...)
O Eduardo chega de um aniversário e a primeira coisa que faz, quando chega a casa, é dizer à Lara que tem coisas para ela. Quer dar-lhe todos os brindes que recebeu de lembrança da festa. Relembro-o que deve dividir as ofertas entre a Lara e a Maria, o que ele faz sem reclamar. Apesar desta sua generosidade seletiva (ele dá-se melhor com a Lara, para já, porque a Lara não o vê como alguém que veio dividir a atenção que lhe damos, uma vez que antes dele veio a Maria), não (...)