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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 10.07.25

Educar para ser, e não para ter

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Cá em casa, desde muito cedo, tentamos educar os nossos filhos para não valorizarem excessivamente o material. Não queremos que desprezem os bens ou que achem que não têm importância — claro que têm —, mas acreditamos que não devem ser o centro da vida nem da felicidade.

Não queremos que associem valor ao preço de um brinquedo, à marca de uma roupa ou à quantidade de coisas que têm. Em vez disso, procuramos cultivar neles o apreço por bons momentos, boas experiências, tempo em família e tempo de qualidade. É esse o valor que lhes queremos transmitir.

Sempre que posso, converso com eles sobre isto. Mas não somos perfeitos, e erramos muitas vezes — inclusive neste nosso propósito.

🎄 O Natal do Excesso

Houve um Natal em que caímos na tentação de lhes comprar imensas prendas. Foi um exagero. Os miúdos rasgavam os papéis sem sequer olharem bem para o que estavam a receber, ávidos por mais, numa espécie de frenesim. Foi um erro, e percebemos isso logo. Não repetimos.

Desde então, oferecemos muito poucos brinquedos. As prendas vêm sobretudo no Natal e nos aniversários. Às vezes, o Coelho da Páscoa ou a Fada dos Dentes trazem um livro ou uma pequena surpresa, mas evitamos comprar coisas só porque sim. E como não criámos esse hábito, eles não nos pedem nada quando vamos a uma loja — sabem que, em princípio, não vamos comprar.

👕 Roupas com História

Sempre que possível, usamos roupas emprestadas ou passadas de irmãos para irmãos. Agora que os miúdos estão todos quase do mesmo tamanho, nem sempre conseguimos fazer isso. Mas o Eduardo, por exemplo, usa com gosto roupa dada ou emprestada. A Lara também. Eles percebem que estamos a poupar — não só dinheiro, mas também o planeta. E aquilo que está em bom estado, passamos a outras famílias. É um ciclo simples e natural.

🎁 O Essencial (e o Significativo)

Muitas vezes, os miúdos nem sabem o que pedir no aniversário ou no Natal — e isso, para nós, é um bom sinal. A Maria gosta muito de bonecas, e tem algumas que realmente aprecia. A Lara gosta de skates, patins, bicicletas — coisas que oferecemos nas datas especiais e que consideramos ferramentas para o ar livre, para o movimento, para a liberdade.

Valorizamos brinquedos de qualidade: legos, instrumentos musicais, jogos de tabuleiro, materiais de pintura. O Eduardo, por exemplo, nunca ligou muito a carrinhos ou pistas. Prefere construir coisas e brincar com os irmãos. Na verdade, o que eles mais gostam é de brincar juntos, ao ar livre, com o que encontram — subir árvores, andar de skate, inventar histórias.

🌍 Ser, Partilhar, Estar

Este estilo de vida também nos ajuda a não encher a casa de coisas. Explicamos-lhes que poupamos para poder viajar em família, fazer passeios, jantar fora de vez em quando. São essas experiências que queremos guardar e repetir. Não são melhores porque custam dinheiro, mas porque nos aproximam. Porque nos fazem sentir verdadeiramente felizes.

Na nossa família, o que tem mais valor são as relações humanas, os momentos partilhados, o tempo vivido em conjunto. É isso que tentamos ensinar aos nossos filhos: que o verdadeiro valor está no ser e no estar — e não no ter.

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