Eduardo, o corajoso

Quando o Eduardo ainda era um bebé de colo, talvez com um ano e meio, nós estávamos a passear no parque urbano, com ele no carrinho. Ele tinha uma bolacha na mão e encontrámos um amigo nosso, com um labrador jovem. O labrador, cheio de energia, roubou a bolacha da mão do Eduardo. E ele, que gosta muito de comer, ficou muito ofendido com a situação. Desde então, não gosta de cães e tem mesmo muito medo deles.
No outro dia, fomos dar um passeio de bicicleta com um vizinho nosso, que é mais pequenino que o Eduardo, tem cinco anos. E apareceu um cão perdido, um cão de fila, grande, daqueles que impõem algum respeito. O nosso vizinho estava assustado e ia sempre a desviar-se, enquanto o cão corria atrás dele. Nós tentávamos afastar o cão, mas sem grande sucesso, porque ele era grande e nós também não o conhecíamos.
E foi então que o Eduardo quis ajudar. Pôs-se à frente do cão, e acho que tentou empurrá-lo ou pará-lo, para que não fosse atrás do menino mais pequeno. O cão ladrou-lhe, o Eduardo ainda tentou insistir… mas depois assustou-se, caiu em si, chorou e ficou muito nervoso. No entanto, o instinto dele foi proteger o menino mais pequeno. Apesar do medo enorme que tem de cães, pôs-se à frente e tentou afastar o cão.
Eu fiquei muito orgulhosa dele. O Eduardo sempre teve um instinto protetor e gosta de tomar conta dos mais pequeninos, mas surpreendeu-me vê-lo enfrentar um dos seus maiores medos para ajudar outra pessoa. Com apenas sete anos, mostrou coragem, enfrentando o medo para proteger alguém mais frágil.
Como é o meu filho mais novo, ainda o vejo (erradamente) como um bebé. Por isso, sinto-me ainda mais sensibilizada por ver que, realmente, o Eduardo é um menino crescido, corajoso e com um grande coração.