Coisas que tento ensinar aos meus filhos e que só aprendi em adulta

A vontade de ter sempre o melhor
Talvez seja por serem três, por terem idades tão próximas, ou talvez seja simplesmente por serem crianças, e muitos adultos também são assim, mas noto que os meus filhos tentam sempre ficar com a melhor parte de qualquer coisa. Pode ser o melhor lugar no carrossel, a panqueca mais bonita da travessa ou a cor de bola saltitona preferida num conjunto de bolas.
Acho normal procurarmos o melhor de cada situação. Mas quando isso implica concorrência com os outros, penso que pode ser prejudicial.
Aprendizagem em adulta
Sou filha única e, quando era pequena, não precisei de concorrer muito com ninguém. Mas já em adulta, percebi que, em várias situações, queria sempre o “melhor lugar” e, quando não conseguia, ficava triste. Essa ansiedade nunca me trouxe nada de bom.
Com o tempo, fui trabalhando isso em mim. Hoje aceito o que me calha com alegria e gratidão. Curiosamente, isso tem-se revelado muito melhor, tanto para mim como para os outros. É exatamente isso que tento transmitir já aos meus filhos: que não precisam de esperar pela idade adulta para aprenderem.
O exemplo das refeições
À mesa é onde mais ensino estas pequenas lições. Se temos uma travessa de comida, por exemplo, cada um serve-se da parte que está mais próxima. Não escolhem o melhor pedaço. Claro que acho importante procurar o melhor em si próprio na escola, no trabalho, nos desafios, mas nunca à custa do que pertence a outra pessoa.
Quando repartimos ovos mexidos em cinco porções, cada um tem a sua parte. Se um dos meus filhos comeu bem e já não tem fome, não pode pedir a dose do pai ou da mãe. Explico sempre que não devemos satisfazer um desejo momentâneo retirando a parte justa de outra pessoa. Só depois de todos estarem servidos e, se sobrar, então pode haver mais.
Valores que quero passar
À mesa falamos de empatia, de justiça, de aprender a estar feliz com o suficiente. Quero que os meus filhos percebam que não há verdadeira felicidade quando se deseja ter mais do que os outros à nossa volta.
Faço isto porque acredito que é a minha maior obrigação: educar seres humanos empáticos e dignos. Mas também por um motivo egoísta: sei que eles só serão realmente felizes assim.
Igualdade e justiça social
Para mim é fácil dizer isto porque nunca senti satisfação em ver alguém ter menos do que eu. Muito pelo contrário: entristece-me ver crianças sem acesso a comida, educação, saúde ou uma casa. Não me incomoda nada que outras pessoas tenham mais. Eu sinto que tenho o suficiente, e tudo o que vem além disso, como viagens, experiências ou comer fora, é um extra, não uma necessidade.
É por isso que, dentro do que posso, defendo uma sociedade e um governo que diminuam as desigualdades e protejam os mais vulneráveis.
E vocês?
Gostava de saber: quais são os valores mais importantes que tentam ensinar aos vossos filhos?