Coisas que me encanitam nas férias: a utilização das espreguiçadeiras

Estive de férias com a minha sogra, os meus filhos e o meu namorado e, como acontece, há sempre umas situações caricatas que acontecem nas férias. Uma das coisas que me intriga é a forma como as pessoas se agrupam à volta da piscina ou dos espaços comuns. A forma como as pessoas gerem a sua presença nesses espaços, nomeadamente nas espreguiçadeiras ou outras mesas disponíveis, perto do bar, perto da piscina, perto das zonas de lazer.
O ano passado, nas férias que fiz, eu reparava que as pessoas realmente deixam, muitas vezes, as toalhas a marcar as espreguiçadeiras, o que eu acho estranho. Não vou dizer que nunca o faça, nem que nunca o fiz, já o fiz, só que pergunto-me qual é a forma correta de o fazer. Eu faço de determinada maneira, de acordo com uma ética autoimposta, e as pessoas que o fazem farão de acordo com a sua própria ética, de acordo com aquilo que consideram ser o justo e o correto.
E aquilo que eu considero ser o justo e o correto vai variando ao longo do tempo, ao longo da experiência. O que eu considerava com 15 anos difere do que achava com 20, com 30 e agora, com 3 filhos pequenos, ainda difere mais. Isso não tem a ver com maldade ou falta de ética, mas sim com a experiência de vida que temos. Eu agora tenho crianças e penso mais nas necessidades delas e também nas suas "desnecessidades".
Por exemplo, crianças pequenas não têm necessidade de ter uma espreguiçadeira. Quem tem necessidade são os adultos, não só porque têm mais dores nas costas, mas porque lazer, pelo menos para mim, é estar estendida na espreguiçadeira a apanhar sol ou sombra, com um livro, uma bebida, enquanto observo os miúdos tranquilamente na piscina. Já os miúdos querem estar na piscina ou a comer. Eles não usufruem da espreguiçadeira, podem secar-se um minuto ou dois, mas não ficam ali.
Então faz-me confusão ver famílias (no ano passado reparei mais nisso) que, sendo cinco, por exemplo, e tendo três bebés, reservavam uma espreguiçadeira para cada um. E eu e os meus filhos ficávamos muitas vezes no chão, sem sombra, porque outra família estava a usar mais do que precisava. Claro que é a minha opinião. Eles também têm todo o direito, porque pagaram o hotel, chegaram primeiro, e podem usufruir de uma espreguiçadeira por pessoa, mesmo que não esteja a ser utilizada. É direito deles. Eu nunca reclamei, nunca disse nada, mesmo sentada no chão.
Mas já não faço dessa forma. Para mim, o que devo fazer é usar a minha própria ética. O que faço sempre é ocupar duas espreguiçadeiras, se for eu e o Milton, ou três, se for eu, a minha sogra e o Milton. As crianças, se precisarem, usam as nossas, porque sei que será apenas por um minuto ou dois. Assim deixamos as outras livres para quem realmente precisa. Se houver vinte ou trinta cadeiras livres, tudo bem, mas se são poucas, ocupamos apenas as necessárias para os adultos.
Em termos de reservas é a mesma coisa. Não chego lá, ponho uma toalha e vou à minha vida à espera que a cadeira esteja disponível para mim. Posso fazê-lo se for de manhã à piscina e depois for almoçar, havendo muitos lugares livres, só para não andar com as coisas atrás. Mas nunca reservo de madrugada, para depois voltar horas mais tarde. Geralmente não reservo espreguiçadeiras, nunca deixo as coisas lá a não ser que vá à casa de banho ou que demore apenas alguns minutos. Se for demorar horas, tiro as minhas coisas para outra pessoa usar, parece-me lógico, não é?
Quais são os vossos pensamentos sobre isso?