Bocadinhos de humanidade

Apesar de ter estudado Comunicação Social — e talvez por isso mesmo — há muitos anos que deixei de ver notícias de forma assídua, sobretudo na televisão. Quando quero manter-me informada (e a verdade é que tento fazê-lo todos os dias), recorro a meios escritos, normalmente jornais online. Também sigo alguns podcasts, que considero mais sérios e ponderados.
Sempre que posso, tento olhar para os vários lados de uma questão. Ouço vozes diferentes, especialmente quando se trata de temas sensíveis ou conflitos. Tento construir, à minha maneira, aquilo que me parece ser a versão mais próxima da verdade. Porque, sejamos honestos: a verdade raramente é absoluta. Mesmo quando os factos são reais, a forma como os interpretamos depende de cada um — e está tudo certo com isso.
Evito o sensacionalismo. Evito notícias que são apenas más, que não me ensinam nada, que não me servem nem agora nem mais tarde.
Mas há uma página no Instagram — talvez mais do que uma, mas há uma em especial — que me tem acompanhado. São vídeos curtos. Pequenos momentos de humanidade.
Há reencontros de animais com quem os salvou — cães, gatos, até macacos. Há vídeos de famílias simples, cenas caseiras que transbordam ternura. Imagens de cuidadores com idosos, de bebés a dar os primeiros passos, de crianças que riem ou choram com quem as ama. São coisas simples. Mas são reais. E bonitas. Mostram o melhor de nós.
Ali, naquele espaço, tudo é genuíno. Não há filtros de vaidade, nem encenações. Há afetos. Há entrega. Há compaixão. Lembro-me de um vídeo em que um senhor recebe uma mota de presente — provavelmente oferecida por patrões que também são amigos. Ou de uma mulher que, no meio das cheias, depois de praticamente perder tudo, ainda encontra espaço para oferecer bananas à jornalista que a entrevistava. Porque era o que tinha. E quis partilhar.
Pode parecer pouco. Pode parecer quase banal. Mas para mim, são esses gestos que contam. São essas histórias que me fazem parar, respirar fundo e acreditar que, no meio do ruído, ainda há beleza.
Não tenho razões de queixa — a vida tem sido generosa comigo. Mas mesmo assim, há dias em que me canso. Do palco estranho que são as redes sociais: das discussões sem sentido, da agressividade, do julgamento fácil. Tanta gente a falar mal de quem nem conhece. Tanta opinião empurrada com força, como se fosse lei.
E é por isso que gosto tanto daquela página. Porque me lembra que a humanidade não é só isso. Que ainda há pessoas que escolhem o bem, mesmo quando seria mais fácil virar costas. Que ainda há quem escolha a esperança em vez da raiva. A generosidade em vez da indiferença.
Ver aqueles vídeos é, para mim, como abrir uma janela depois de horas fechada numa sala abafada. Um bocadinho de ar fresco. Um lembrete de que, apesar de tudo, ainda há quem faça do mundo um lugar mais leve.
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