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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 20.11.25

A moda e eu

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Com 13 anos comprei uma camisola de gola alta preta. E, pela primeira vez, comecei a sentir algum conforto na minha pele. Não por a camisola ser especialmente confortável ou por as roupas anteriores não serem macias, mas por ter encontrado uma peça de roupa com a qual me sentia realmente bem.

Antes disso, lembro-me de, sem saber ao certo o que estava a fazer, tentar seguir algumas modas. Lembro-me da minha mãe, com uma paciência que só o amor maternal explica, a pintar vários pares de calças de ganga meus com uns pós coloridos que se misturavam num caldeirão com água a ferver. Usava-se ter calças de ganga muito coloridas: amarelas, vermelhas, laranja, turquesa. Enfim… eu usava aquilo, mas nem me sentia bonita nem incluída.

Noutra ocasião, comprei um casaco que toda a gente usava na altura e a que chamávamos “ensebado”. Havia em azul-escuro e verde, e o meu era verde. Aquilo era desconfortável, frio e cheirava mal. Era o cheiro do próprio casaco, e eu detestava-o.

Ainda noutra altura, por sugestão de amigas, fui ao Lux com umas calças de ganga justas, metidas dentro de uns botins com riscas, e um top de tecido vaporoso, cor-de-rosa clarinho. Lá dentro encontrei cinco raparigas com a mesma roupa que eu. Não foi a melhor noite da minha vida e não foi pelos clones.

A roupa é uma extensão de nós. É sempre uma forma de comunicarmos ao mundo quem somos. Se agora levo 3 minutos a vestir umas calças de ganga e uma t-shirt preta, até perceber que isso já comunica o que quero sobre mim, noutras fases já demorei horas a escolher umas calças de ganga e uma t-shirt preta com ar muito usado, enquanto colocava base nos braços para disfarçar o acne e esticava o cabelo para parecer naturalmente despenteado.

No fim de tudo, decidi que não me identifico com a maior parte das tendências de moda passageiras. Há anos que uso os meus All Star pretos e brancos. Ocasionalmente estarei na moda, outras vezes não. E está tudo perfeitamente bem assim.

Isto não é uma crítica a quem segue as tendências da moda. De todo. Quem o faz está a comunicar algo importante sobre si, e isso é válido e respeitável. Mas acredito que o devemos fazer por nós e porque queremos realmente, não por influência dos outros, das redes sociais ou seja do que for que não a nossa própria essência e vontade.