A Inteligência artificial vai originar mais manipulação ou mais pensamento crítico?
Confesso que, quando começámos a ouvir falar de Inteligência Artificial e a perceber a velocidade a que ela crescia — e como as suas potencialidades se tornavam cada vez maiores — senti, acima de tudo, curiosidade. Sempre gostei muito de novas tecnologias. Assim que surgem e sempre que me é possível, começo a utilizá-las, a explorá-las, a tentar perceber o que é que podem fazer por mim.
Tal como aconteceu com o aparecimento da internet, das redes sociais e de tantas outras inovações, encaro estas tecnologias com curiosidade e também com alegria. É óbvio que tudo aquilo que dá algum tipo de poder ao ser humano pode ser usado para o bem ou para o mal. As coisas não são más em si mesmas; tornam-se boas ou más consoante a forma como são utilizadas. E já sabemos que, quando algo começa a ser usado por muitas pessoas, normalmente dá sempre algum tipo de confusão. Nada de novo, tudo normal.
É por isso que eu adoro a internet e gosto muito das redes sociais, umas mais do que outras, claro. São ferramentas extremamente úteis, tanto para consumir informação como para a veicular. No meu caso, a informação que partilho é sobretudo opinião. Não é informação profissional nem algo que deva ser levado demasiado a sério. Partilho experiências, gostos, o meu quotidiano, de uma forma bastante amadora e lúdica. Não escrevo para ensinar ninguém, embora acredite que toda a informação que consumimos pode acrescentar-nos alguma coisa, ou pelo menos deveria.
Ainda assim, sou bastante cuidadosa quando o assunto são os meus filhos. São crianças e não consomem informação da internet de forma indiscriminada. Não acedem a redes sociais, a não ser quando querem mostrar alguma coisa específica, e tudo aquilo que veem, seja na televisão ou online, é bastante controlado pelos pais. E isto acontece porque qualquer pessoa pode criar conteúdo e há, infelizmente, muita coisa desnecessária e até perniciosa a circular na internet.
Com a evolução da Inteligência Artificial e a possibilidade de qualquer pessoa criar vídeos, imagens ou até vozes falsas, já vi praticamente de tudo. E acredito que aquilo que nos chega agora ainda é bastante primitivo comparado com o que aí vem. Tudo isto vai mudar rapidamente e melhorar, sobretudo ao nível da qualidade. Neste momento, penso que as pessoas já estão relativamente sensibilizadas para o facto de que qualquer coisa que vemos na internet — no Instagram, noutras redes sociais ou em vídeos aparentemente banais — pode ser falsa.
Ainda conseguimos, na maioria das vezes, perceber o que é feito por Inteligência Artificial e o que não é, mas isso está a tornar-se cada vez mais difícil. E, na minha opinião, isso é algo positivo. Pela formação académica que tive, fui educada para desconfiar da informação que me chega e para desenvolver um forte sentido crítico — mesmo em relação aos meios de comunicação oficiais. É isso que ensino aos meus filhos desde cedo.
No entanto, sei que muitas pessoas acreditam piamente naquilo que veem na televisão e, agora, também no que veem nas redes sociais. Com a chegada da Inteligência Artificial, vai tornar-se praticamente impossível termos a certeza absoluta de que aquilo que nos é mostrado é real. As fake news nunca foram tão evidentes. Chegaremos a um ponto em que simplesmente não vamos saber. E, de uma forma algo paradoxal, isso é confortável para mim, porque sempre vivi neste mundo de dúvida e questionamento.
Este sempre foi o meu modo de pensar e parece-me que, agora, se tornará o pensamento geral. Isso vai obrigar as pessoas a pensar mais, a questionar mais, a desenvolver um sentido crítico mais apurado e a não acreditarem cegamente em tudo o que veem. Ao contrário do que alguns poderão pensar — que será ainda mais fácil manipular as massas — acredito que poderá tornar-se mais difícil. A manipulação sempre existiu, mas agora essa facilidade está muito mais exposta, mais visível. E isso exige atenção, reflexão e responsabilidade.
E vocês, o que é que acham?