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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Seg | 21.07.25

A Esplanada Filosófica

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Há um conjunto muito específico de momentos que guardo na memória com um carinho especial. São instantes em que estive completamente presente, saboreando cada segundo, e que despertaram em mim um interesse profundo e uma satisfação quase única — um misto delicioso de curiosidade e descoberta.

Um desses momentos aconteceu numa esplanada qualquer da Universidade de Lisboa, talvez na Faculdade de Letras. Tinha pouco mais de 20 anos e acompanhei a minha prima à universidade, onde ela estudava Filosofia. Estive algum tempo com os colegas dela — estudantes do primeiro ano e alguns mais velhos — e, naturalmente, pusemo-nos à conversa.

Raramente me senti tão integrada, tão à vontade, tão em casa. Tive a sensação de que poderia passar ali horas, talvez dias, a falar com aqueles jovens sobre todo o tipo de inquietações filosóficas.

Aquelas pessoas pareciam ser como eu. Tinham as mesmas questões, as mesmas dúvidas, os mesmos hábitos de reflexão. De repente, as conversas que normalmente me faziam parecer estranha entre os outros jovens, ali eram recebidas com entusiasmo.

Foi aí que percebi: quando somos “estranhos” em conjunto, tudo se torna muito mais agradável.

Talvez por isso — com as devidas diferenças — sempre me senti próxima de minorias, mesmo quando não me identifico diretamente com as suas lutas ou os seus desafios. Sempre me senti uma espécie de minoria — uma estranha, uma outsider.

Lembro-me de duas pessoas que conheci nesse dia. Uma delas, um miúdo de 17 anos de olhos verdes, que creio se tornou escritor. O outro, mais velho, depois de uma breve pesquisa, descobri que é hoje doutorado em Filosofia.

Guardo com muito carinho essa memória, com a certeza de que estive com pessoas verdadeiramente interessantes e especiais — daquelas que não me fazem sentir estranha no meio de pessoas "normais".