A brincadeira livre, esse hábito maravilhoso

Este mês fiquei sozinha com os meus três filhos durante alguns dias. Eles já estão de férias escolares, mas eu ainda estou a trabalhar. Tirei um dia de férias, mas nos restantes dias fiquei em teletrabalho, com eles em casa.
Os meus filhos têm entre 6 e 11 anos. Já são crescidos o suficiente para se entreterem sozinhos, mas, ao mesmo tempo, a combinação de três crianças cheias de energia e em idades próximas pode ser um verdadeiro caos. Confusão, barulho, brigas, desarrumação, tudo ao mesmo tempo. Trabalhar nesse cenário é, como podem imaginar, um verdadeiro desafio.
Por isso, tomei algumas decisões com antecedência. Planeei os dias e expliquei-lhes o plano antes de começarem. Estabelecemos horários para as refeições, algum tempo dedicado aos trabalhos escolares, e também limites muito claros para o uso de ecrãs. Durante esses dias, a única exceção foi a televisão, permitida duas vezes por dia.
Para mim, é essencial limitar os ecrãs, não só para evitar o uso excessivo, mas porque percebo que, quanto mais tempo passam em frente à televisão, mais aborrecidos e apáticos ficam. Isso não lhes faz bem e torna tudo mais difícil para todos.
Claro que nem tudo correu perfeitamente. Houve discussões entre eles, gritos da minha parte, e momentos em que fiquei muito cansada e frustrada — especialmente quando tinha de intervir nas brigas. Mas, no geral, correu melhor do que esperava.
O mais bonito foi ver como, com o passar dos dias, eles começaram a organizar-se sozinhos. Perceberam que, quando as coisas não funcionavam, havia consequências — e isso motivou-os a procurar soluções, a colaborar e a brincar de forma mais harmoniosa.
O ponto alto destes dias foi a brincadeira livre. Descobriram brinquedos que já tinham há muito tempo e que quase não usavam — e reinventaram-nos. Brincaram com um simples balão em forma de bola de futebol, trazido do aniversário de um amigo. Regressaram aos drones, criaram jogos novos com eles, usaram os walkie-talkies para brincar aos espiões, e deram asas à imaginação de uma forma que há muito não via.
Tanto que, quando chegava a hora da televisão, muitas vezes nem queriam ver nada. Estavam tão envolvidos nas suas criações e nas brincadeiras em conjunto, que a televisão perdeu o interesse. Redescobriram o prazer de brincar, de inventar, de usar a criatividade em grupo — e isso fez toda a diferença.
Houve momentos em que eu consegui trabalhar tranquilamente enquanto eles se entretinham, se organizavam e até resolviam os seus próprios conflitos. Foi uma experiência muito interessante para todos.
Estes dias também serviram como uma boa preparação para o resto das férias. Vão passar alguns dias em campos de férias, mas também vão estar bastante tempo em casa. Saberem brincar de forma livre, criativa e autónoma é uma competência essencial — para eles, e também para mim.
Porque minimalismo, para mim, também é isto: aprender a viver com menos distrações e mais presença, com menos estímulo externo e mais imaginação, com menos controlo e mais autonomia.
Por aí, como se organizam nas férias com os miúdos em casa?