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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 30.03.23

Lara, a aventureira

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A Lara fez 9 anos há duas semanas e, nesta meia dúzia dias, já acumulou uma vasta experiência:

- Foi ao seu primeiro campeonato de Karaté fora de São Miguel;
- Andou de avião sem os pais, apanhou imensa turbulência e achou que eras manobras divertidas e propositadas do piloto;
- Abriu o queixo a jogar bowling  e levou pontos sem chorar.

Qua | 29.03.23

10 dicas para poupar nas refeições para a família

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A inflação está aí para todos e, embora uns a sintam mais que outros, quem tem famílias numerosas dificilmente pode fugir aos seus efeitos na conta da mercearia.

Como, a bem da nossa saúde, não podemos comer arroz com ovos ou sandes de atum todos os dias, o melhor é organizarmo-nos de maneira a podermos continuar a comer bem apesar dos preços mer***** que encontramos em praticamente todos os produtos de primeira necessidade.

Deixo, em seguida, a minha contribuição para a minha e a vossa organização das compras de mercearia em forma de 10 dicas de poupança. Muitas já sigo, outras vou ter de começar a seguir com mais convicção (como o planeamento das refeições).

  1. Faça uma lista de compras: Antes de ir ao supermercado, faça uma lista de compras detalhada, incluindo apenas o que é realmente necessário. Evite comprar itens desnecessários e, se puder, reduza o consumo de leite, queijo e manteiga (os níveis de colesterol agradecem).

  2. Planeie as refeições: Planeie com antecedência as refeições da semana, isso ajuda a evitar gastos desnecessários e a evitar compras de última hora.

  3. Compre alimentos da época: Os alimentos da época costumam ser mais baratos, frescos e saborosos. Planeie as refeições tendo em consideração estes produtos.

  4. Compre em embalagens maiores alimentos que consome mais como azeite, arroz, cereais, aveia, farinha, etc. O preço é, geralmente,  mais baixo do que em embalagens individuais. Confirme sempre o valor por kg ou litro, para ter a certeza.

  5. Faça refeições vegetarianas: Comer menos carne pode ajudar a poupar dinheiro e a melhorar a saúde.

  6. Compre marcas brancas: As marcas brancas são mais baratas que as outras e, muitas vezes, a qualidade é semelhante. Existem exceções, mas no geral a diferença é quase inexistente.

  7. Evite produtos processados: Alimentos processados normalmente são mais caros do que alimentos frescos e saudáveis.

  8. Cozinhe em grandes quantidades: Cozinhar em grandes quantidades e congelar refeições pode ajudar a poupar tempo e dinheiro.

  9. Aproveite as sobras: Use sobras de refeições para fazer novas receitas, como sopas, saladas ou tartes salgadas.

  10. Compre alimentos em promoção: Fique atento às promoções e aproveite para comprar alimentos com desconto. Mas cuidado para não comprar mais do que precisa ou itens desnecessários apenas porque estão em promoção. Compre apenas o que já costuma usar habitualmente. Até porque, quando compramos algo não habitual, cá em casa, geralmente fica esquecido até se estragar.

    Que outras dicas acrescentariam a estas?

Ter | 28.03.23

Eduardo #45 O generoso

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À noite, pergunto-lhe:

"O que gostavas de pedir ao Pai Natal?"

Responde ele:

"Muitos cromos para dar à Lara, para ela completar as cadernetas todas."

A alegria da vida dele é, de facto, arranjar cromos junto dos amiguinhos para oferecer à Lara ao fim do dia, quando regressam da escola.

Esta benevolência teve inicio quando a Lara começou a guardar pão do almoço para lhe dar no recreio.
Realmente, a gratidão e a vontade de retribuir a quem nos faz bem é natural, mesmo em crianças pequeninas. 

Seg | 27.03.23

Devemos mesmo dizer às crianças que "não devem fazer queixinhas"?

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"Fazer queixinhas é feio." ou "Não quero que faças queixinhas."

Já repeti estas frases aos meus filhos vezes sem conta, principalmente quando fazem queixas uns dos outros, por motivos que, do alto da minha amnésia sobre o que é ser criança, considero tolos.

Depois de pensar um pouco melhor, explico-lhes a diferença entre a denúncia necessária e a intriga.

É importante ensinar aos nossos filhos que é errado dizer alguma coisa apenas com o objetivo de prejudicar alguém como: "ele está a brincar em vez de estudar" ou "ele está a tirara macacos do nariz". Por outro lado, se eles se sentirem tristes ou prejudicados com alguma coisa, devem encontrar nos pais um porto seguro e alguém disponível para ouvir as suas queixas ou desabafos.

Fazer queixinhas pode não só não ser feio, como também ser muito necessário. Por outro lado (ou pelo mesmo lado) ensinar os miúdos a "não fazer queixinhas" pode levar a um posterior silenciamento de situações de bullying.

Por isso, em vez de incentivarmos os nossos filhos a não fazerem "queixinhas", podemos incentivá-los a não fazer intrigas, mas a falarem com os pais ou amigos sobre qualquer coisa que os esteja a incomodar, seja algo que se passe com eles, seja algo que se passe com os seus amigos.

Embora já tenha dito muitas vezes aos meus filhos para não fazerem queixinhas, tento incentivá-los a falarem sobre o que se passa na escola. Com a Lara, principalmente, já falei também sobre bullying e sobre as formas possíveis de reagir numa situação de agressão.

A Lara já me contou algumas situações que se passaram na escola, desde gozarem com ela, chamarem-lhe nomes e terem algum tipo de ação agressiva com ela. Normalmente as agressões vêm por parte de crianças mais velhas mas, tanto quanto pude averiguar pelas nossas conversas, a Lara parece estar a lidar bem com as situações, por isso nunca senti a necessidade de intervir.

Já percebi que ela não opta por se queixar aos auxiliares e professores, mas também não vejo que ela fique muito tempo a pensar nisso.

No outro dia contou-me que algumas raparigas mais velhas a rodearam e, sob uma acusação inventada na hora, começaram a chamar-lhe nomes e dar encontrões sem a deixar sair dali. Quando lhe perguntei como reagiu, disse-me que teve que ficar ali a ouvi-las até encontrar uma brecha para fugir. Quando lhe perguntei como se sentiu em relação à situação, disse-me que se eu não lhe tivesse perguntado, nem se lembrava disso. Disse-me, ainda, que achava que as miúdas eram idiotas e que chateavam muitas vezes os miúdos mais novos que, por sua vez, não se acanhavam de responder às "agressoras" com algumas provocações em forma de insultos.

Aproveito sempre para dizer à Lara e aos irmãos que nunca, mas nunca, devem gozar, bater ou aborrecer ninguém, principalmente crianças pequenas. Explico-lhes as consequências do bullying para as vítimas e explico-lhes também, que os agressores, de alguma forma, também são vítimas e o que têm que fazer é nunca permitirem que os maltratem. 

Basicamente tento explicar-lhes que o problema está do lado de quem comete e agressão, nunca do lado de quem a sofre. Quem está agir mal é o agressor e, por mais que o agressor seja uma pessoa triste e frustrada, deve encontrar outras formas de gerir as suas emoções.

Neste contexto, digo aos meus filhos que devem procurar defender-se sempre, se possível, sem o uso da violência.

Não se trata de um assunto simples, mas acredito que se for trabalhado desde cedo, pode dar aos miúdos ferramentas para se protegerem de situações de bullying.

 

Sex | 24.03.23

14 perguntas respondidas pelo meu filho de quatro anos


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1- Como se chama a mãe?
 Mãe

2- A mãe é gorda ou magra? 
Magra

3-A mãe é alta ou baixa?
Um bocadinho alta

4- o que é que a mãe gosta mais de comer?
Salada

5- O que a mãe gosta mais de vestir?
Roupa

6- Quantos anos tem a mãe?
21

7- Quantos kg tem a mãe?
31

8- O que gostavas de dar de presente à mãe?
Um coração

9- Quem ama mais a mãe? 
O pai

10- O que é a mãe?
Mãe

11- O que a mãe te diz sempre?
Amor

12- Para onde gostavas de viajar com a mãe? 
Lisboa

13- O que gostavas de ser quando fores crescido?
Jogar iPad todo o dia

 14- És feliz?
Algumas vezes sim, algumas vezes não.

15-Do que gostas mais?
De jogar na televisão, de ver o pai a jogar, de ver as meninas a jogar e de jogar.

"Já está?!!!! " Diz-me ele quando lhe agradeço e digo que pode ir brincar, prontíssimo para mais umas 50 perguntas.
Qui | 23.03.23

10 valores para ensinar aos filhos

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Naturalmente, vamos passar aos nossos filhos meia dúzia de valores, que são realmente importantes para nós, e negligenciar outros tantos. 

A minha filha mais velha, por exemplo,  não usa dispositivos eletrónicos quando está com outras pessoas, sabe que deve comer de forma saudável, investe mais tempo a ler do que a ver televisão e nem sabe bem o que são Redes Sociais. Mas, num restaurante, é capaz de se comportar como uma selvagem, comendo de boca aberta e fazendo acrobacias na cadeira. 

Também não diz palavrões, por hábito, mas ensina os irmãos a dizer (e eles já não se controlam assim tanto).

Sabendo que isto da educação é um caminho labiríntico e cheio de obstáculos, que vamos fazendo ao mesmo tempo que os nossos filhos, deixo-vos uma lista de valores que vale a pena ensinar a estes seres humanos em formação.

É uma lista principalmente para mim,  para me lembrar de que sou o espelho dos miúdos e que, antes de lhes tentar ensinar algo, tenho que ser eu a aprender primeiro. E, muitas vezes, acho que são eles que me ensinam a mim.

  1. Respeito - Ensinar os filhos a respeitar os outros, independentemente da idade, género, raça, religião ou orientação sexual, é um valor fundamental para integrar uma sociedade cívica. Também é importante ensiná-los a respeitarem-se a si, à sua individualidade, limites e dignidade.

  2. Honestidade - Esta é difícil, porque implica manter a calma quando os miúdos confessam disparates cabeludos que possam ter feito. Mas é essencial ensinar os miúdos a dizer a verdade, mesmo quando é difícil, e a assumir a responsabilidade pelas suas ações, sem gritos e sem drama.

  3. Responsabilidade - Ensinar as crianças a assumir a responsabilidade pelas suas coisas. Isso inclui responsabilidade pelas suas tarefas escolares, pelos seus objetos e até pelo seu bem-estar físico e emocional.

  4. Empatia - Desenvolver a capacidade de compreender a perspetiva e os sentimentos dos outros, e considerar as suas necessidades.

  5. Tolerância - Respeitar as diferenças entre as pessoas e aprender a conviver com elas, sejam diferenças culturais, religiosas, étnicas, de orientação sexual, ou outras.

  6. Generosidade - Desenvolver a capacidade de dar sem esperar nada em troca, sendo generosos com o seu tempo, recursos e energia, e  valorizando a importância de ajudar os outros. Sou especialmente insistente neste valor porque o desenvolvi já em adulta e gostaria muito de o ter desenvolvido mais cedo, porque acredito que contribui muito para a nossa felicidade e realização pessoal.

  7. Persistência - Perseverar através de dificuldades, enfrentando desafios e superando obstáculos, sem desistir e procurando sempre aprender com os erros.

  8. Autoconfiança - A autoconfiança é fundamental para o bem-estar emocional e mental de todas as pessoas. Por isso, é muito importante ensinar as crianças a acreditar em si mesmas e a ter confiança nas suas habilidades e talentos. Tenho especial receio de falhar nesta.

  9. Resiliência - Desenvolver  nos nossos filhos a capacidade de recuperar de dificuldades e desafios, fornecendo-lhes o suporte emocional e encorajamento de que precisam para superar obstáculos.

  10. Gratidão - Sei que esta palavra está com a popularidade um bocado em baixo, mas a gratidão é muito importante na medida em que envolve apreciar o que se tem e reconhecer a bondade dos outros. Creio que ter consciência do valor do que temos é fundamental para sermos felizes, por isso tento passar isso aos meus filhos, de alguma forma.

    Concordam com a minha lista? Acrescentariam outros valores? Contem-me.

Qua | 22.03.23

O que é dinheiro bem gasto?

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Cá está um tema capaz de gerar alguma discussão. Ou talvez não.

O que é, para vocês, dinheiro bem gasto?

Para mim, dinheiro bem gasto é dinheiro gasto em experiências, em bem- estar, em educação e em saúde. Basicamente, é onde gasto o meu dinheiro. E acho-o bem gasto.

Por outro lado, tenho a firme convicção de que ninguém deveria ter que gastar dinheiro em comida saudável, em educação básica de qualidade e em cuidados de saúde de qualidade. É onde gasto mais dinheiro, mas não deveria ter de o gastar.

O meu maior investimento são três seres humanos em formação e eles comem e formam-se bastante, e ainda têm menos de 10 anos. 


 

Seg | 20.03.23

Uma série, um filme e um Podcast

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Leitores que estejam por aí, teria interesse para vós, uma rubrica semanal com sugestões de livros, filmes, podcasts, séries, canais de Youtube, entre outros meios de entretenimento?

Em caso positivo, digam-me nos comentários.

Entretanto, deixo-vos com três sugestões:


Triangle of Sadness do sueco Ruben Östlund é uma sátira que retrata o capitalismo e a sociedade ocidental de uma forma hilariante, desconcertante, crua e, muitas vezes, agressiva. A conversa entre dois bêbados peculiares - um comunista americano e um capitalista russo - que trocam alfinetadas em forma de citações (ou piadas) famosas é umas das cenas que me vai ficar na memória como uma das melhores cenas de sempre numa comédia. Junto com "Life of Brian" e "Inglorious Basterds", o filme está no meu Top 3 de comédias.

Menina Alzira, é o Podcast em que o escritor José Luís Peixoto partilha conversas com a sua mãe, a menina Alzira. Estas conversas de 15 minutos são a coisa mais delicada, bonita e comovente que já ouvi em Podcasts. Todos os apreciadores de pessoas vão gostar, com certeza.

Shrinking, ou "Terapia sem Filtros", foi uma série que comecei a ver por acaso, apenas por causa do Harrison Ford. E, talvez por estar sem qualquer tipo de expetativa, fui gostando mais e mais da série a cada minuto. É uma comédia onde os dramas da vida são tratados com uma leveza maravilhosa. Gosto de imaginar que, apesar de todas as diferenças que nos separam, o mundo poderia ser como naquela série, se todos fossemos dotados de sentido de humor e capacidade de perdoar.

Alguém já viu ou está a ver esta série, o filme ou o podcast?


Ter | 07.03.23

O que torna alguém um bom professor?

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Enquanto estudei, conheci poucos professores extraordinários. Mas, os que conheci, mudaram-me a vida. Podem ler mais sobre isso aqui.

Entretanto, desde que tive filhos, que começei a conhecer mais professores extraordinários. Noto-os sobretudo pelas atitudes e palavras dos meus filhos em relação a eles.

Na verdade, o que têm em comum é uma entrega muito grande à profissão e uma vocação notória para ensinar e lidar com crianças mas, em tudo o resto, são bastante diferentes. Todos, execelentes professores.

Então o que faz de um professor, um bom professor?

Da minha parte, posso dizer que eles conhecem os meus filhos. Conhecem os seus gostos, as suas características pessoais e a forma como reagem em diferentes contextos. Quando me encontram, às vezes, dizem-me coisas sobre eles que nem eu sabia.

Da parte dos miúdos, posso falar do que eles me contam:

- A Lara sempre teve uma vontade enorme de ir para a escola. Chegava a chorar se, por estar com uma virose, tinha que ficar em casa.

- O Eduardo, não tendo sempre vontade de ir à escola, tem sempre vontade de correr para a sua professora e abraçá-la. Chega, inclusive a pedir-lhe para passar tardes na casa dela (a este não falta lata).

- A Maria, sendo uma miúda muito responsável e atinada, consegue desenvolver muito bem as suas capacidades com a professora que tem, meiga e exigente na mesma medida. A meio do primeiro ano, e sem lhe ensinarmos nada em casa, já tenta ler tudo o que lhe aparece à frente com um método e um desembaraço que só consigo atribuir ao método da professora.

Depois temos os outros professores: de música, de desporto e de inglês.

- Pelo que percebo, a professora de inglês do Eduardo é muito animada. Nas aulas parece haver uma conjugação interessante de música, teatro e jogos que deixam os miúdos muito divertidos.

- Com o professor de Educação Física, estão todos felicíssimos. Parece que não existe uma aula igual às outras. A Lara, especialmente, durante uma das nossas conversas antes de dormir, ficou muito tempo a explicar-me porque é que gostava tanto das aulas do professor: porque ele participa nos jogos com os alunos, cria sempre jogos novos para a turma, deixa-os explorar os materiais com alguma liberdade e ensina exercícios novos e mais desafiantes se acha que eles conseguem. Para a Lara, que adora desporto e detesta rotina não poderia haver um professor melhor.

- A professora de música, parece que é uma festa em pessoa. Sempre muito bem disposta, está a criar uma grande cumplicidade com os alunos. A Lara farta-se de rir com ela e, graças à professora, já conseguimos convencer a Maria a ir para o coro.

Continuo a achar que ser professor é a profissão mais importante e bonita do mundo. E ser um bom professor deve ser dos propósitos de vida mais extraordinários de sempre.

Tenho uma gratidão infinita pelos bons professores que vou conhecendo. Oxalá eles tenham, em breve, todo o reconhecimento que merecem.

Sex | 03.03.23

Eduardo #44 O Espertalhão

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O Eduardo, de 4 anos, estava um pouco aborrecido com o pai, por algum motivo.

Nisto, vem a rastejar da sala até à casa de banho, onde se encontrava o pai e diz: 

"Tu és um cocó."

Responde-lhe o pai:

"O QUÊ?!!!!"

Ao que o Eduardo, responde, muito calmamente:

"Não és tu, pai. É outro pai."

Pergunta o Milton:

"Qual pai?"

Diz o Eduardo:

"O pai Zombie. Ele não está aqui agora."