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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Dom | 25.06.17

Sim, aos 3 anos continuo a não dar doces à minha filha

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Sempre tive plena consciência de que os doces não fariam parte da alimentação das minhas filhas, assim como não fazem da minha e da do pai.

Comigo, nem sempre foi assim.

Até à idade adulta comia doces praticamente todos os dias. Não estou a falar de comer uma sobremesa ou um bolo por dia. Estou a falar de comer sacos cheios de caramelos de nata, gomas ou chocolates em menos de nada.

Sempre fui muito gulosa (ainda sou) e tenho verdadeira compulsão por comida.

Até que, primeiro por motivos estéticos e depois por motivos de saúde (muitas cáries e uma diabetes gestacional depois), decidi mudar a minha alimentação. E consegui fazê-lo com sucesso.

Há vários anos que não como doces diariamente e que tenho muita atenção a todas as minhas refeições. Como quase sempre sopa ao jantar, como muitos legumes como acompanhamento e praticamente só como carnes brancas e peixe.

Cada vez me custa menos não comer doces com regularidade mas no início custou-me mesmo muito. Tive que reeducar-me e reeducar o meu paladar.

 

Hoje em dia já nem consigo comer coisas muito doces, ou adicionar açúcar no chá ou no café. Continuo a comer doces mas nada comparado com o que comia. Como cerca de uma ou duas vezes por semana.

É por isso que quero educar as minhas filhas para gostarem de comer coisas saudáveis sem esforço. Quero educa-las para não terem necessidade de comer açúcar constantemente.

 

Todos sabemos que o açúcar é viciante. Quanto mais comemos mais queremos comer.

Todos sabemos que o açúcar não tem interesse nutricional (para isso temos o açúcar naturalmente presente nos alimentos como a fruta) e pode ser muito prejudicial para a saúde. Então para quê darmos açúcar às nossas crianças? Já falei sobre isso aqui, por isso não me vou estender muito mais sobre o assunto.

É por isso que o açúcar não faz parte da alimentação da minha filha de 3 anos.

Se já comeu doces? Sim, comeu.

Depois dos 2 anos deixei que experimentasse bolos caseiros, arroz-doce e gelados. Poucas vezes e apenas quando ela pediu para comer.

Faz-me impressão que se ofereçam doces às crianças, mesmo sem elas pedirem. Sei que as pessoas não fazem por mal mas faz-me muita confusão. A única coisa que o pode justificar é não terem real consciência do que o açúcar faz a longo prazo.

 

Com certeza que não é um ou dois doces que vão fazer mal mas, é a permissividade e a facilidade com que se oferecem os primeiros doces na infância que pode condicionar uma vida de má alimentação e a dificuldade acrescida em passar a comer de forma adequada se for necessário.

É por isso que não ofereço doces à minha filha. É por isso que ela come doces escolhidos por mim, apenas duas ou três vezes por mês (que eu saiba).

Já sou mais mole do que era. Já deixo que, às vezes, lhe ofereçam um ou outro doce com mais açúcar ou mais processado (bolachas essencialmente) mas confesso que o faço muito contrariada e apenas por sentir um grande cansaço de estar sempre a batalhar, a ser a “chata”, a dizer que “não” outra e outra vez. Mas não me sinto confortável quando isso acontece. Nada mesmo.

Não gosto que ofereçam doces à minha filha e nem sempre tenho coragem de o dizer abertamente. Mas, também não acho saudável fazer um pé de vento sempre que isso acontece. Vou gerindo como posso e nunca cedendo a coisas que estão mesmo fora de questão como rebuçados, bolos com creme ou processados, gomas, chocolates (comeu um ou outro ovo pequenino na Páscoa), amêndoas doces, bolachas tipo oreo e esse tipo de coisas.

No que depender de mim, aos 3 anos e até muito mais tarde, os doces aparecem apenas uma ou duas vezes por semana e serão constituídos essencialmente por bolos caseiros adoçados com tâmaras, gelados e umas bolachinhas.

Neste momento, a Lara pode ver uma mesa cheia de bolos e, se ninguém lhe chamar a atenção para isso, ela nem liga e muito menos pede para comer.

 
Por isso minha gente, para quê oferecer doces ás crianças ou chegar ao cúmulo de lhes dar à boca?

Dar doces não é dar amor. Não é.

Dar amor é dar atenção, brincar com eles, educá-los para serem pessoas gentis, amáveis, confiantes e capazes de amar o próximo, mostrar-lhes limites com paciência e, também, cuidar da sua saúde a longo prazo. Isso é a melhor forma de amor que lhes podemos dar.

 

 

 

 

 

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