Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 21.07.16

Não fazia ideia que um parto normal podia ser assim

parto normal 7

 

O meu primeiro parto não foi exatamente fácil. Fui internada para indução do parto numa terça- feira e a Lara nasceu na quinta, com a ajuda de ventosa (na verdade foi à terceira ventosa).

 

Apesar disso sempre quis ter mais que um filho e não ia ser o parto a fazer-me desistir da ideia.Assim, 18 meses depois da Lara nascer, voltei a engravidar e nem pensei no parto, até uma semana antes de ter de ir para o hospital fazer nova indução.

 

Mais uma vez, passaram as 40 semanas e nada de contrações ou sinais do bebé querer nascer naturalmente.

 

Na perspetiva de voltar a passar por tudo novamente, fiquei um pouco ansiosa mas, no dia em que fui para o hospital, fui dominada por um estado de absoluta calma. Mesmo que tivesse que ficar outra vez uma semana inteira no hospital, mesmo que tivesse que fazer cesariana, não ia preocupar-me antes de tempo. Havia de ser como fosse.

 

Comecei com uns comprimidos vaginais e fui internada. Mais uma vez, nada de contrações. Fui logo colocada a soro pelo que não podia comer nem beber nada, além de um golinho de água muito de vez em quando.Desta vez decidi esperar mais para pedir epidural.

 

Considerava (erradamente) que muito do que tinha corrido menos bem no parto da Lara, tinha sido por causa da epidural, nomeadamente ter que utilizar algália para esvaziar a bexiga e ter necessitado de tanta ajuda para a Lara nascer. Isso porque na altura me disseram que uma vez que tinha epidural não sentia as contrações e não sabia quando devia fazer força.

 

Como os comprimidos não desencadearam contrações, começaram a dar-me ocitocina à tarde. Comecei logo a ter contrações, algumas bem fortes, mas as dores eram bastante suportáveis, pelo que me mantive sem epidural.

 

Entretanto, as dores começaram a ficar muito fortes, mas pelas 20h00 ainda não tinha passado dos 2 dedos de dilatação. Queria esperar para saber se iam parar a indução à noite ou não mas as dores tornaram-se tão fortes que, mesmo depois de saber que iam parar a indução, pedi a epidural.

 

O meu médico aconselhou-me a fazer epidural antes de chegar a um ponto em que, pelo nível das contrações, já não fosse possível administrá-la. Confio totalmente no meu obstetra, o Dr. Rui Mendonça, pelo que nem pensei duas vezes antes de fazer como ele sugeriu. Obviamente, vim a perceber que foi o melhor que fiz.

 

De facto, a presença do Dr. Rui, foi essencial para o meu estado de espírito durante todo o processo. Desde ter conversado comigo várias vezes sobre o que se ia passando, aos conselhos que me dava, o apoio que transmitiu quando me foi ver antes de ir embora e dizer que estaria de prevenção nessa noite e caso fosse necessário chamavam-o, até ter ido ver se o parto tinha corrido bem num dia em que não estava de serviço no hospital. De facto senti-me bastante segura sempre que via a cara conhecida do Dr. Rui, ou não fosse ele o meu obstetra. :)Voltando ao parto, fiz a epidural e passei bem a noite.

 

O Milton foi dormir a casa e voltou na manhã seguinte, quando voltaram a dar-me ocitocina.Perante a perspetiva de passar ali mais uma noite à espera do parto, não fiquei propriamente radiante mas não me preocupei nada. Já sabia o que poderia ser e sabia que não valia a pena stressar. Estava muito mais calma do que há dois anos atrás.Entretanto a dilatação foi-se desenvolvendo devagar... Muito tempo nos 4 dedos e mais algum para os 5 dedos.

 

À hora de almoço estava nos 7 dedos de dilatação e o médico e a enfermeira de serviço (também muito atenciosos e disponíveis) informaram-me que, muito provavelmente, a Maria nasceria nessa tarde.

 

Um fator muito relevante aqui foi o facto do médico, o Dr. André Sampaio, me ir sempre informando dos procedimentos (tal como o meu médico também havia feito) pelo que, se tivessem que usar ventosa ou empurrar a barriga eu já sabia porque é que tinham que o fazer. Ter essa informação faz toda a diferença.

 

Entretanto, cheguei aos 10 dedos de dilatação, e fiquei cheia de esperança. Sim, só mesmo nessa altura é que ganhei consciência que o parto ia ser mesmo naquele dia. Já era um dia mais cedo do que o da Lara, portanto já estava "a lucrar".

 

Durante o dia e até à hora de ir para a sala de partos, a enfermeira Elisabete foi impecável e deu- me sempre reforços de epidural para que eu não sentisse demasido as dores das contrações. Exatamente o oposto do que aconteceu na outra vez em que, várias vezes, me indicaram que preferiam que sentisse algumas dores para poder fazer força melhor. hmpf

 

Aos 10 dedos de dilatação perguntei se podia ajudar no processo e disseram que podia fazer força quando sentisse as contrações. Sim, porque apesar da epidural, e ao contrário do que me tinham sugerido há 2 anos, eu conseguia perceber perfeitamente quando estava a ter contrações porque sentia a pressão na barriga, embora não sentisse a dor. E, mesmo que não sentisse nada, podia sempre ver no aparelho de CTG, que controla as contrações e os batimentos cardíacos.

 

Entretanto, sozinha na sala de dilatação com o Milton, fui ensaiando vários tipos de força. Estava decidida a fazer o que pudesse para evitar a ventosa. Na altura, já com toda a dilatação feita, a bebé ainda estava muito alta e, se não nascesse por si, até às 4h00, ia na mesma para a sala de partos ver se a conseguiam "fazer nascer". Eu já sabia o que isso significava pelo que, com convicção mas muita tranquilidade, primeiro a medo e depois "com todo o profissionalismo de quem viu muitos partos na televisão", pus-me a fazer força como quem está a atuar na novela da noite.

 

A determinada altura pareceu-me estar a sentir uma forma arredondada a fazer pressão para sair. Era mais uma intuiçãozita mas chamámos a enfermeira na mesma.

 

Assim que fez o toque a enfermeira afirmou que ia nascer e disse-me para não fazer mais força. Fomos para a sala de partos. Eu estava toda satisfeita comigo mesma, assim mesmo com uma sensação parvinha que só me dava vontade de rir. Acho que foi porque reforçaram a dose de epidural e aquilo não deixa de ser uma droguinha à base de opiáceos.

 

Na sala de partos estavam 4 pessoas: a maravilhosa enfermeira Elisabete, que além de ser super meiga e atenciosa, mostrou ser firme, querida e extremamente competente, o Milton e eu.

 

De acordo com as indicações da enfermeira, que me fez o parto, fiz força menos de meia dúzia de vezes, durante uns 5 minutos... e a Maria nasceu. Sem dores, sem cortes, sem ventosa, sem empurrões na barriga e sem um grito que fosse.

 

E, apesar da epidural (ou se calhar por causa da epidural e da excelente enfermeira Elisabete) tive sempre consciência do processo todo, sem qualquer dor. Levei apenas 3 pontos de prevenção, num pequeno rasgão pouco profundo, e nem os senti.Esta é apenas a minha experiência, mas posso garantir que este parto foi maravilhoso.

 

Nem nos meus melhores sonhos imaginei que pudesse ser tão fácil e pouco doloroso.Tenho que referir, também, a simpatia de todo o pessoal do hospital de Ponta Delgada, que encontrei: médicos, enfermeiros e auxiliares, todos impecáveis.

 

O parto da Maria foi uma experiência fantástica! O resto da história segue-se em capítulos. ;)

8 comentários

Comentar post