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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Dom | 11.03.18

Como tenho aplicado o método de Maria Montessori na educação das minhas fiilhas

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Já tinha ouvido falar da Maria Montessori - médica e pedagoga conhecida por ter criado o método pedagógico Montessoriano, "que revolucionou a forma como a criança é compreendida e respeitada" - através da youtuber Flávia Calina e das camas Montessorianas, baixinhas e mais adequadas à criança.

O meu conhecimento sobre Maria Montessori era bastante genérico e superficial mas, desde que li um livro dela - Montessori em Família - passei a interessar-me bastante pelo seu método.

Retirei do livro duas ideias essenciais: a importância de respeitar a criança na sua natureza e a sua capacidade de "auto-educação", sem demasiada interferência dos adultos, e a importância de darmos um bom exemplo aos nossos filhos.

Se já estava bastante ciente da importância do exemplo que damos aos nossos filhos, depois de ler o livro fiquei com essa convição ainda mais reforçada.


A determinada altura Montessori conta-nos a história de uma família em que o pai era pastor numa igreja e pregava que devemos amar o próximo e, caso ele seja mais desfavorecido que nós, ajudá-lo, com amor, no que pudermos. Depois de um dos sermões o pastor, a mulher e a filha pequena regressavam para casa quando encontraram uma senhora sem abrigo, que a filha correu a abraçar e acarinhar, de acordo com o que o pai havia pregado (e que ela escutara com atenção).
Quando chegaram a casa, a criança foi lavada, esfregada e desinfetada, perante o evidente desconforto dos pais com a situação anterior. Parece que, a partir desse dia, a criança passou a escutar os sermões do pai com total descaso e indiferença.

 

Eu acredito muito nisto. Se nós dissermos aos nossos filhos para agirem de determinada forma e nós próprios não o fizermos estamos não só a criar confusão nas suas mentes, como estamos a criar desilusão e descrença em relação às pessoas com quem eles contam para lhes dar regras, educação e segurança. Isso serve para tudo o que fazemos: a forma como comemos, a forma como tratamos os outros, a forma como cuidamos de casa e das nossas coisas e, sobretudo, a forma como existimos, a forma como lidamos com todas as situações e com as nossas emoções. 

É por isso que, se queremos que os nossos filhos sejam felizes, em primeiro lugar temos que fazer por ser felizes.

Em relação à outra ideia do livro, que defende que devemos dar autonomia e liberdade à criança para ela se desenvolver de acordo com a sua natureza e o seu ritmo, é uma novidade para mim.

Sempre direcionei muito as brincadeiras das minhas filhas e lhes disse constantemente o que fazer. Sempre tentei evitar que a Lara corresse muito, ou subisse a coisas, para que não se magoasse.

De acordo com o método Montessoriano, devemos intervir o menos possível nas atividades das crianças e deixa-las seguir a sua verdadeira natureza pois essa é a melhor forma deles se desenvolverem e aprenderem o que é importante que aprendam. Claro que devemos estar sempre disponíveis para os orientar e ajudar sempre que nos for solicitado ou sempre que estiver em causa a segurança da criança.

Desde que li o livro tenho mudado muitas coisas no meu comportamento e já vejo muitas alterações positivas.

 

- Deixei de intervir tanto nos comportamentos das minhas filhas e deixo-as, a maior parte das vezes, a brincar à vontade. O resultado é que brincam mais sozinhas, brincam uma com a outra (a Lara de quase 4 anos e a Maria de 20 meses) sem brigarem e entretém-se muito bem a explorar as coisas à sua volta.


- Sempre que tenho que dizer que não à Lara explico-lhe muito bem o porquê e, na maior parte das vezes, ela percebe.

- Sempre que é solicitada a minha atenção eu fico totalmente disponível para as minhas filhas (e, se não puder, paro o que estou a fazer, e explico o porquê de não lhes poder dar atenção naquele momento).

- Faço um grande esforço e deixo que as minhas filhas se aventurem mais fisicamente, a correr e a pular, estando sempre perto delas para ajudar se for preciso. A Maria, por exemplo, tem a mania de sair do triciclo mandando-se para o chão. Se antes isso me afligia imenso, agora deixo acontecer e vejo que ela não se magoa e,  mais cedo ou mais tarde, aprenderá por si própria, a maneira correta de sair do triciclo.

São pequenas coisas que, parecendo que não, fazem com que as crianças cooperem muito mais, façam menos birras, se sintam mais independentes, e criem uma autoestima maior e mais capaz de as tornar adultos felizes.

É nisto que acredito.

Para já vou arranjar mais livros, filmes e documentários sobre a Maria Montessori e o seu método de educação. Parece-me adequado aos valores que defendo e ao que quero para os meus filhos.