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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Seg | 01.02.16

Cidade Preferida: São Francisco

Caminhar sozinha. Enquanto o vinil assistia às conferências do wwdc, eu passeava a pé pela cidade.

 

 

 

Percorri as colinas, li o "Cemitério de Pianos" de José Luís Peixoto, em algumas das (muitas) zonas verdes da cidade onde as pessoas faziam piqueniques, jogavam futebol, faziam yoga e apanhavam sol de biquíni.Não há nada como caminhar sozinha por uma cidade desconhecida. As sensações que se conseguem, quando não existem outros focos de atenção entre nós e o nosso objeto de observação, são únicas!

 

 

Assistir ao concerto dos "The Jesus and Mary Chain" no Fillmore, um espaço de espetáculos histórico, onde tocaram as bandas de rock alternativo mais interessantes do mundo ou, pelo menos, todas os que eu gostaria de ter visto ao vivo. O ambiente daquele lugar é extraordinário, as paredes estão recheadas de cima a baixo com cartazes psicadélicos de todas as bandas que ali foram tocando durante décadas. Trouxe o meu próprio cartaz do concerto, que está emoldurado na parede de casa.

 

 

Ser constantemente abordada na rua por desconhecidos e não me importar com isso. As pessoas abordavam-nos várias vezes, para perguntar de onde éramos, e ficavam sempre muito surpreendidas por virmos de tão longe. O vinil foi abordado por um homem que lhe disse que tinha uma barba fantástica (estávamos perto do Castro mas acho que o interesse do senhor, que também tinha barba, era mesmo estético)!

 

 

Passear pelo Castro e encontrar dois homens completamente nús (excepto pela mala de senhora que tinham no braço), com um ar normalíssimo e, praticamente ninguém estar a olhar para eles com um ar chocado ou admirado.

 

Passar um dia inteiro num grande parque de diversões. Aqui passei alguns dos maiores sustos da minha vida, e não estou a referir-me às montanhas russas que me fizeram colar o estômago ao cérebro várias vezes. O parque temático ficava a cerca de uma hora de distância de São Francisco e, no caminho para lá, foi possível ver um pouco do que é a América fora das grandes cidades. Não é bonita. Nada. É muito assustadora. Sobre isso falarei num outro texto, mas devo dizer que não me vejo a passar pelos mesmos locais por onde passei. De qualquer forma, valeu muito a pena e divertimo-nos como crianças no parque de diversões.

 

 

Subir as colinas da cidade, de noite, nos famosos "cable cars" de São Francisco, uma espécie de elétricos como os de Lisboa, mas puxados por cabos (em vez de eletricidade). Existem desde 1873 e são uma das principais atrações turísticas de São Francisco, sendo os únicos transportes públicso do mundo com o sistema de cabos subterrâneos.

 

 

Cheirar o ar das ruas, das livrarias, dos cafés, das lojas e de todo o lado. Cada rua, cada bairro e cada canto de São Francisco conta-nos uma história diferente, é impossível não sentir no ar a história das pessoas que por ali passaram nas décadas anteriores. Entrei numa livraria espetacular, enorme e com um ar muito antigo, que tinha uma zona bastante extensa só sobre o movimento gay em São Francisco. Fiquei ali uns bons tempos a explorar aqueles livros magníficos. Existiam outras livrarias só sobre o movimento anárquico e uma série de outros temas. O cheiro dos livros é viciante e uma autêntica máquina do tempo.

 

 

Entrar em todas as lojas da Forever 21 e de roupa em segunda-mão que encontrei. Era capaz de passar dias inteiros só as explorar as lojas de roupa vintage.Claro que visitámos museus e fomos a alguns dos pontos turísticos mais relevantes da cidade, mas dispensámos muitos outros e, aquilo de que gostei mesmo, foi de sentir o quotidiano de São Francisco. É isso que procuro quando viajo, absorver um pouco do carisma único do sítio onde estou, e isso só se consegue nas suas ruas.

 

 

Seguem algumas ilustrações:

 

 


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Existiam músicos de rua, muito engraçados, em todo o lado. Ali, tocar na rua por dinheiro não era, de todo, mal visto. Tinha até um certo "charme".

 

 

 

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Vista panorâmica de São Francisco, da janela da "Coit Tower".

 

 

 

SF 4

 

As colinas da cidade são impressionantes. Subi e desci algumas (poucas) sozinha, nos dias em que o Milton andava pelo WWDC.

 

 

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Entrada de Chinatown

 

 

 

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Praça Harvey Milk, no Castro. considerado o bairro gay mais famoso do mundo. O ambiente, ali, era fantástico! Arrisco-me a dizer que é o bairro mais amigável onde já estive.

 

 

 

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Apesar de também existirem elétricos em Lisboa, o de São Francisco é verdadeiramente carismático. Vale a pena subir as colinas de São Francisco, de noite, neste transporte fantástico.

 

 

 

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Os muitos parques de São Francisco estavam sempre cheios de gente, sentada ou deitada na relva, a ler, a praticar yoga, a fazer ginástica, a apanhar sol, a jogar futebol, a conversar... Ainda não percebi porque não acontece por cá. Parece que os parques são só para enfeitar ou passear, não se vê muita gente a estender uma manta e ficar por ali a ler, a dormir ou só a permanecer.

 

 

 

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O Milton passou três dias no WWDC, as conferências da Apple. Eu passei muito bem, a passear sozinha pelas ruas de São Francisco. E quase não me perdi, fiz apenas uns desvios não intencionais.

 

 

 

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As ruas, sempre cheias de gente gira e de aspeto original, eram ensolaradas e coloridas, não deixando espaço nenhum para a monotonia.

 

 

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O nosso hotel ficava numa ponta do Tenderloin, um bairro no centro de São Francisco, conhecido por ser "perigoso". De facto, encontrava-se multidões de mendigos a cada 10 metros, mas não tivemos qualquer problema. E o hotel até era bem simpático.

 

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