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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Qui | 23.04.15

Aquela vez em que não fiquei careca

 

Este texto deve-se, em primeiro lugar, ao facto de ter sentido falta desta informação quando me deparei com a situação que vou descrever.

 

Durante a gravidez pesquisei imenso em blogs sobre os mais variados assuntos sobre bebés e como cuidar deles e também sobre as alterações no corpo e na mente da mulher depois do parto. Mesmo assim, apanhei alguns sustos.A gravidez, em si, foi muito pacífica. Sem enjoos, azia ou outro tipo de mal-estar nos primeiros meses.Depois descobri que tinha diabetes gestacional e, como também não era imune à toxoplasmose, fiquei com uma fraca seleção de alimentos para comer. Passei a gravidez a sopas, fruta descascada, carne muito bem passada, e peixe com legumes cozidos. Nos últimos meses de gravidez não aumentei de peso um quilo que fosse. Essa foi a parte boa.

 

Depois do parto não passou completamente. Fiquei com o que chama de intolerância à glicose. Tenho níveis alterados de açúcar no sangue que, não sendo tão altos como quando se tem diabetes, são mais elevados que o normal. Parece que a minha dieta é para sempre. Tudo bem.Aquilo de que vos queria falar é outra coisa. O cabelo.Sempre tive um cabelo fraco. Durante a gravidez isso mudou completamente. O cabelo deixou de cair e começou a crescer muito rapidamente. No final da gravidez, estava com uma fantástica cabeleira: tinha o cabelo comprido, brilhante e farto como nunca tinha tido.Tudo se manteve assim até 3 meses depois do parto.

 

Algumas amigas já me tinham falado da queda de cabelo pós parto mas nada me preparou para isso. Não me lembro de ter acontecido gradualmente, parece que foi de repente.

 

No início, não liguei muito mas um dia olhei para o espelho e vi que tinha entradas. Entradas de verdade, nas fontes. De um lado era pior do que no outro. Tinha verdadeiras carecas, com meia dúzia de cabelos meio perdidos a compor a coisa. Foi aí que comecei a ter mais atenção à minha escova e à quantidade de cabelos que tinha de cada vez que me penteava depois do banho. Era tufos enormes. Não consigo explicar o quão assustador era!

 

Eu só pensava que ia ficar careca em pouco tempo. Com a quantidade de cabelo que caía todos os dias era impensável que o resultado não fosse esse. É completamente devastador passar a mão pelo cabelo e ver dezenas de cabelos nas mãos... Passei a ter o gesto nervoso de passar a mão pelo cabelo várias vezes ao dia. E ver vários cabelos na mão todas as vezes.Um dia contei os cabelos que me caíram depois do banho: quase 500.

 

Passei a lavar o cabelo dia sim, dia não. Nos dias em que não lavava o cabelo caía menos.Passei a usar o cabelo sempre solto para não se notar as entradas e a olhar fixamente para a fronte de todas as mulheres em idade fértil que me passavam pela frente. Se tinham bebés pequenos ao colo ficava a olhar para o cabelo delas fixamente. Algumas, não muitas, pareciam ter entradas também...

 

Fui ao dermatologista. Fui ao obstetra e ao endocrinologista. Disseram-me que era normal, teríamos que esperar mais uns 3 meses até passar. Aconselharam-me a deixar de amamentar aos 6 meses da minha filha. Nunca coloquei essa hipótese verdadeiramente, acho.

 

O dermatologista, médico em que mais confio no mundo e arredores, disse-me que não podia garantir melhoras mas aconselhou-me produtos que me fizeram deixar na farmácia uma quantia de dinheiro obscena. O cabelo estava a crescer, mas fininho, por isso não quis arriscar e lá comprei a keratina forte para 3 meses, mais loções e champôs.

 

Tomei a medicação religiosamente mas o cabelo não deixou de cair. Durante 3 meses caiu de uma forma violenta e angustiante. De vez em quando contava-o. E eram sempre centenas de cabelos...

 

Mas, passado um mês e meio da descoberta das entradas, já tinha cabelos pequenos suficientes paraas cobrirem e elas deixarem de existir. Parecia que tinha rapado o cabelo dos lados. Cresceu tantocabelo pequeno que fiquei com uma farta franja.

 

Passados os 6 meses do parto, o cabelo passou a cair menos, cerca de um terço do que caía. Ainda assim era muito. O meu cabelo perdeu o volume.Quando a medicação acabou não comprei mais. Não consegui marcar consulta com um dermatologista em Ponta Delgada senão para o ano seguinte por isso desisti.

 

Também não achei que valesse a pena. Nunca deixei de amamentar. Ainda hoje amamento.Um ano depois do parto, a queda de cabelo passou aos níveis de normalidade, ao que me costumava cair desde os 20 e poucos anos.

 

Passei a usar um champô que uma prima, também mãe recente, me aconselhou: kaminomoto (9 a 13 euros numa farmácia).Não posso garantir que ajude na queda mas deixa, sem dúvida, o cabelo com muito melhor aspeto.Caiu-me, garantidamente, pelo menos metade do cabelo.

 

A boa notícia é: não fiquei careca. E não acontece a todas as mães. E não tem o mesmo efeito em todas. Para quem tem uma cabeleira de jeito, quase que não dá por isso. Como o meu cabelo nunca foi muito forte, notei bastante.

 

Consegui manter o cabelo comprido e pintá-lo de 2 em 2 meses sem problemas.Se vos acontecer, não entrem em pânico. Não vão ficar carecas. Vai passar. As entradas disfarçam ao fim de um mês e meio.

 

Apesar de não ter um cabelo fabuloso, nem nada lá perto, deixo fotos recentes. Assim só para provar que ele existe. Pouquinho, nada espantoso, mas está aqui. :) 

 

 

 

cabelo

 

 

 

 

cabelo 2

 
 
 
 

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