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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

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Ter | 25.07.17

A minha experiência com o DIU Mirena

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Depois da Maria nascer, o meu ginecologista falou-me no Mirena, um dispositivo intra-uterino hormonal com a duração de 5 anos, que teria as mesmas vantagens contracetivas da pílula, sem o inconveniente de ter que tomar um comprimido todos os dias e com o uso de uma quantidade muito menor de substâncias para o corpo.
Foi-me dito que quase de certeza ficaria sem menstruar, o que muito me agradou, e que não teria cólicas menstruais.

 

Confesso que, para além de ter conversado sobre isso com o Milton, não pensei muito antes de me decidir a colocar o Mirena. De acordo com o médico, o Mirena trazia tantas vantagens (nem me lembro de termos falado em desvantagens) que não tive grandes duvidas. Claro que me fazia uma certa confusão colocar uma coisa no corpo mas… agora que sabia que era possível engravidar “mesmo”, achei que deveria usar um método contracetivo bom e eficaz.

De modo que coloquei o Mirena dois meses depois da Maria ter nascido. Optei por colocar no privado e todo o processo mais o Mirena que comprei na farmácia, ficou por cerca de 200 euros (o Mirena custa cerca de 30 euros). Creio, no entanto, que podem coloca-lo no Sistema Nacional de Saúde de forma gratuita.

Não precisei de colocar anestesia e, apesar de sentir uma pequena impressão, é algo muito pacífico. O pior foi depois. No ato da colocação, deve ter-se rompido algum vaso sanguíneo (o que pode acontecer e não traz nenhum problema grave) e fiquei com uma hemorragia fortíssima. Vou-vos poupar a pormenores mas posso dizer que, se não estivesse ali no médico e ele me explicasse o que estava a acontecer, teria desmaiado de susto. Era sangue por todo o lado. Literalmente.

Fui então para casa, preparada para usufruir de todas as maravilhas do aparelhometro.

Bom… a ausência de menstruação demorou a fazer-se notar. Na verdade, fiquei com pequenas hemorragias (tipo spoting, às vezes um pouco mais) durante cerca de 5 meses. Quase tirei o Mirena mas resolvi dar-lhe mais um tempo para ver se o corpo se adaptava e, realmente, com o tempo, os dias de spoting começaram a ficar cada vez mais espaçados.

Passaram mais alguns meses e eu fui ficando mais satisfeita em relação ao Mirena.

Mas outras coisas foram acontecendo na minha vida e na minha mente.

Apesar de estar a viver uma boa fase da minha vida, andava sempre nervosa. E hipocondríaca. Como nunca antes! A quantidade de médicos que visitava todos os meses estava a tornar-se gritante. Dois médicos diferentes diagnosticaram Síndrome de Intestino Irritável, o que está totalmente relacionado com a ansiedade.

Continuei nervosa e ansiosa. Começou a cair-me muito cabelo. Apareceram-me manchas na testa. Comecei a fazer psicoterapia outra vez.

O próximo passo seria procurar o psiquiatra e tomar antidepressivos.

Até que me obriguei a parar para pensar. Comecei a falar com pessoas que tiveram experiências semelhantes.

Fui pesquisar sobre os efeitos secundários do Mirena e li o folheto informativo do com muita atenção. Fiz isso depois de consultar vários médicos por isso posso afirmar que não me deixei influenciar pelo que li.

Comecei a analisar vários momentos da minha vida e a verificar o que era comum àqueles em que andava mais ansiosa e nervosa: estava grávida ou a tomar a pilula. Lembrei-me imediatamente que tinha decidido não tomar a pílula há vários anos por algum motivo.

Achei que com o Mirena seria diferente. Não estava a ser.

Portanto, quase um ano depois de ter colocado o Mirena, decidi retirá-lo. O ginecologista apoiou a minha decisão e, de facto, confirmou que eu era uma das poucas pessoas que não se davam bem com ele. Assegurou-me que os efeitos secundários iam desaparecer.

Não custou nada a tirar.

Um dia depois, estava a menstruar normalmente. Nunca me lembro de ficar tão satisfeita por ter o período.

Quando tirei o Mirena, senti que estava a ter a minha vida de volta.

Tenho que dizer que conheço casos de pessoas que se dão lindamente com o Mirena. Para quem resulta é, sem dúvida, um descanso e uma coisa muito boa.

Para mim não foi. Também não me dou bem com a pílula e a maior parte das mulheres que conheço tomam a pílula sem qualquer problema ou efeito secundário visível.

Se estão habituadas a tomar a pílula, provavelmente vão dar-se lindamente com o Mirena.

Se não estão habituadas ou já sabem que não se dão bem, pensem muito antes de usarem o Mirena ou algo do género.

O meu conselho é que conversem muito com o vosso médico e coloquem todas as vossas dúvidas. Perguntem exatamente quais podem ser os efeitos secundários e como podem lidar com isso. Pesem muito bem todas as vantagens e desvantagens do método. Façam uma escolha muito consciente e informada.

Eu acho o Mirena um método excelente, muito mais interessante que a pílula em vários aspetos. Eu é que não me dei bem com ele e pequei por não me ter informado o suficiente sobre as substâncias que ele liberta e por não ter explicado ao médico que não me dava bem com a pílula. Coloquei na cabeça que era muito diferente da pílula e para mim não foi.

Para além do alívio e dos bons efeitos psicológicos que sinto por já não ter o Mirena, ainda não vos posso dizer grande coisa sobre as alterações no corpo com a retirada do Mirena. Tirei-o há 3 dias.

Mas tenho muita esperança de dizer ao psicólogo, na próxima sessão, que estou fantástica! :D

Na verdade sinto-me fantástica!

Agora tenho é que arranjar um método contracetivo eficiente que não envolva DIU ou hormonas. :P

Se alguém tiver sugestões criativas, não se acanhe em partilhá-las. :P

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