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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Dom | 16.10.16

Acho um grande atraso de vida

Pensar demasiado na opinião que os outros possam ter de nós.

Não digo que ignoremos completamente os outros e andemos por aí a dizer às pessoas tudo o que pensamos delas, sem filtro e sem educação, nada disso. O que acho é que, viver em função daquilo que os outros esperam de nós, é um desperdício de tempo útil.

Somos todos diferentes e eu não tenho direito de julgar as atitudes alheias, que não me prejudicam de forma nenhuma, por isso vou falar apenas de mim e das minhas convicções. Quem gosta de viver em função das aparências não me incomoda em nada, contando que essas pessoas não sejam o meu namorado ou as minhas filhas. Desejo melhor para eles.

Desde cedo que aprendi que quem quer falar mal de alguém fala e pronto, com ou sem motivo para isso. Quando era pequena era sossegada e boa aluna. Mas, mesmo assim, algumas vizinhas gostavam de dizer que era destrambelhada como tudo. E isto porquê? Porque andava sempre toda suja de subir a árvores e brincar no quintal, porque gostava de pular e saltar como a criança que era. Com 8 ou 9 anos não era propriamente uma "mulherzinha" que gostava de brincar às donas de casa e ajudar a mãe a cozinhar. Ainda não sou uma mulherzinha (nem isso está nos meus planos) quanto mais naquela altura.
Depois gostava era de brincar com rapazes. Mais tarde comecei a vestir roupas estranhas. E depois coloquei um piercing na cara. Estava tudo explicado. E lixado. Não havia solução para mim.

A certa altura aprendi a apreciar a diferença e, mais do que apreciar, desejar a diferença. Passei a ter um certo gosto em desafiar as regras estabelecidas e em fazer as coisas ao contrário do que era esperado. Isso não era muito simpático da minha parte.

O resultado foi gostar de fazer apenas o que me apetecia e gostar tanto que até hoje mantenho o mesmo comportamento. E isso ajuda-me imenso a fazer esta coisa complicada que é existir. Não faço grandes fretes, não finjo gostar daquilo que não gosto e não sigo opiniões alheias só para parecer bem. Não. Aceito opiniões e agradeço muito. Mesmo. Gosto de ouvir opiniões alheias mas só as sigo se achar que me servem. É até uma questão de respeito para com os outros. Acho eu.

Isto para dizer que quando alguém próximo me aconselha a fazer o contrário do que quero porque será melhor assim eu pergunto-me: "Será melhor para quem?" Mas como é que se pode pensar que fingir, fazer fretes e agir de forma contrária à vontade pode ser bom para alguém?

Que impressão pá.