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Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Vinil e Purpurina

Parafernálias sobre a minha vida e a minha mente.

Seg | 29.02.16

Da biblioteca #2

O que trouxémos da Biblioteca esta semana

 

Mais um livro da coleção "Boa Noite".Costumamos ler, desta coleção, a história "Os Três Porquinhos" à Lara antes de dormir e ela gosta muito. Pede sempre para ler esse livro antes de dormir por isso requisitámo-lo outra vez.

 

Tem textos em rima, simples, engraçados e repetitivos o que acreditamos que a ajuda a ganhar vocabulário.

 

Decidimos trazer também uma história diferente: "João e o Pé de Feijão" para ver se faz o mesmo sucesso de "Os Três Porquinhos".

 

b2

 

Este, é um conjunto de quatro livros pequenos sobre as emoções.

Ainda não falamos muito com a Lara sobre sentimentos (para além da alegria, da tristeza e do aborrecimento) e achamos que estes livrinhos podem ajudar-nos a começar a abordar as emoções de uma forma divertida.

 

 

b2.2

 

Estou com vontade de lhe ensinar os números e tento trazer sempre um livro didático.

Trouxe estes dois: um onde se contam animais verdadeiros e outro com janelinhas (ela adora livros com janelinhas).

 

 

b2.3

 

Para mim, que também sou gente, trouxe um romance histórico da Isabel Stilwell. Já li quase todos os livros dela e faltava-me este.

 

b2.1

Sab | 27.02.16

Socorro! A minha família não dorme há duas semanas!

birras

 

Ok. Não é que não durma nada nada. Dormimos uma hora seguida de vez em quando e, nos melhores dias, umas três horas seguidas.

 

O que se passa é que a minha filha esteve doente, o que origina noites em que acorda 10 vezes e em que ficamos com ela, a embalá-la, a dormir com ela e a fazer 30 por uma linha para ela se acalmar.

 

Resultado disso: vícios quase irreparáveis. Mesmo quando já não está doente, acorda várias vezes durante a noite, à espera dos mimos e da atenção que lhe damos quando está doente.

 

O cenário é mais ou menos o seguinte: ela acorda a chorar, um de nós vai ter com ela, tenta acalmá-la, embala-a, abraça-a, às vezes dá-lhe leite, bolachas, volta a embalá-la, reza para ela dormir, e acaba por deitar-se ao lado dela até ela adormecer, o que não acontece sem muita contestação e tentativa de se levantar.

 

Temos a certeza que ela não tem dores e que está mesmo só a fazer birra para não dormir. Se lhe desviamos a atenção, de repente, para qualquer coisa o berreiro pára tão rapidamente como começa. Quando a tentamos deitar novamente manda-se para trás, esperneia e grita a plenos pulmões como se quisesse mandar a casa abaixo.Estamos nisto há duas semanas: a acordar às 2h00, 3h00, 4h00, 5h00, 6h00…

 

Hoje tentei uma técnica diferente. Deixá-la chorar mas não a deixar sair da cama, não a embalar e não me deitar ao lado dela.Lamento muito pelos ouvidos dos vizinhos mas é pelo melhor de todos, da Lara, dos pais e também dos vizinhos que, a médio prazo poderão ter noites mais descansadas.

 

O procedimento é o seguinte: a Lara acorda, vou até ao quarto e falo com ela, faço-lhe festinhas e tento que volte a deitar-se. Ela grita e esperneia e eu não a deixo sair da cama. Digo-lhe que se está aborrecida pode exprimir-se, pode chorar, no entanto vai ter que dormir na mesma, porque ainda é de noite e ela precisa de descansar, assim como os pais, cada um na sua cama.

 

Ela continua a chorar até parar. Volto a deitá-la. Eventualmente tira o edredão de cima de si, senta-se na cama e recomeça a chorar. Digo-lhe a mesma conversa. As vezes que for preciso.

 

Da última vez ela deitou-se, agarrou no coelhinho e até puxou o edredão para cima de si. Eu fiquei sentada ao lado da cama (não na cama) até sentir a sua respiração regular e poder sair do quarto.Creio que estou a chegar a um método mais ou menos acertado. O tempo o dirá.

 

Neste momento considero importante criar condições para que a minha filha perceba que as birras não a levam a lado nenhum e que é importante adormecer sozinha, sem a embalarmos e sem estarmos na cama com ela. Ela já tem quase dois anos e dentro de alguns meses teremos mais um bebé em casa. Temos mesmo que trabalhar na independência dela quanto antes.

 

A Lara acabou por acordar uma ou duas horas depois e o pai foi lá e deitou-se ao lado dela (não tive tempo de lhe explicar a minha nova técnica).

 

Hoje teremos uma conversa e vamos (espero eu) alinhar o nosso comportamento quando ela acordar a meio da noite.

 

Vou-vos mantendo ao corrente das evoluções mas estou confiante.

Qui | 25.02.16

Bolo de banana

bolo-de-banana


Como já devem ter reparado, a maior parte das receitas de bolos saudáveis que tenho por aqui, levam banana. E canela e aveia.

Este não é exceção mas, como também não é exatamente igual a nenhum dos outros, fica a receita na mesma.

Fiz o bolinho com a Lara. 

Às vezes a Lara leva este bolinho para o lanche da creche, com queijo flamengo e um iogurte natural.

Espero que gostem.

Bom apetite!

Bolo de banana

  • 2 chávenas de bananas maduras, cortadas em rodelas
  • 3 ovos inteiros
  • 1/2 chávena de óleo
  • 1 chávena de farinha de trigo integral
  • 2 chávenas de flocos de aveia 
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 1 colher de sopa de canela
 

Colocar no liquidificador ou na bymbi (1 minuto, velocidade 7) a banana, os ovos e o óleo.

Colocar o creme resultante numa tigela e, aos poucos, juntar os outros ingredientes.

Misturar muito bem.

Colocar numa forma de silicone (não é preciso untar) e levar ao forno pré aquecido durante cerca de 30 minutos

Qui | 25.02.16

Mala de maternidade para bebé que nasce no verão

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Esta lista é o resultado da minha experiência e de muitas pesquisas sobre o que levar na mala do bebé para o hospital. Depois de ter a minha filha Lara, verifiquei que muitas das coisas que tinha levado não foram úteis, outras foram essenciais e outras teriam sido necessárias e nem me ocorreram.

 

Agora, com muito mais conhecimento de causa, elaborei uma lista com tudo o que julgo ser indispensável levar para o bebé nos primeiros dias no hospital, assim como algumas dicas que me foram muito úteis.

 

Esta lista é para o verão mas é facilmente adaptável para outra época do ano, substituindo os bodies e roupinhas por outros de tecido mais quente.

 

Roupinhas para o bebé:

  • 1 gorro;

  • 1 luvas de recém nascido de algodão;

  • 1 fatinho para o primeiro dia. os fofos e os cueiros são excelentes opções.

  • 2 pares de meias ou botinhas;

  • 5 babygrows ou conjuntos de 2 peças;

  • 3 bodies de manga comprida;

  • 4 bodies de manga curta;

  • 1 casaquinho de verão;

  • 1 chucha;

  • 1 prendedor de chucha;

  • 2 mantas leves;

  • Manta e lençol para o ovinho;

  • 3 fraldas de pano;

  • 25 fraldas de recém-nascido;

  • 2 toalhas de banho;

  • 2 paninhos de boca;

  • 3 babetes pequenos;

  • 1 manta e lençol para o ovo;

  • 1 ovo (para a saída);

  • 1 saco para a roupa suja;

  • 1 nécessaire para os produtos de higiene;

  • escova de cabelo macia;

  • tesoura de bebé;

  • toalhitas;

  • creme para assaduras;

  • compressas esterilizadas;

  • soro fisiológico;


Conselhos úteis:

Há quem use apenas uma mala para a mãe e para o bebé mas, pessoalmente, organizo-me melhor separando a minha mala da mala do bebé. Fica tudo mais direitinho e arrumadinho.


- A mala de maternidade deve ser preparada com alguma antecedência. O melhor será deixar as roupinhas limpas e arrumadas no mesmo local logo a partir dos 7 meses de gravidez. Assim, quando for para arrumar (ou se for necessário preparar tudo mais cedo é mais rápido). Preparei a minha com um mês de antecedência.

-É muito útil ter uma malinha pequena só com a roupinha do primeiro dia, que vai connosco para a sala de parto.

- Para os outros dias usei sacos de plástico transparentes com fecho para separar os vários conjuntinhos por dias.Cada saquinho terá um body, um babygrow ou um conjuntinho de calça e camisola e umas meias.

- Eu preparei roupinha para 3 dias e uma roupinha extra para cada dia, num total de 6 conjuntinhos.

 

Em casa também deixei mais 2 conjuntinhos prontos, já em saquinhos, para o caso de ser necessário levar mais.

Ter | 23.02.16

Mini série Olive Kitteridge

olive-kitteridge

 

Numa altura em que julgo que estou sem nada de jeito para ver, a caminho de desistir de séries como "Os ficheiros secretos" e "Gotham", e cansada de esperar pelas maravilhosas "House of Cards" e "Mr. Robot", eis que o homem da casa aparece com "Olive Kitteridge".

 

É uma mini série de quatro episódios do canal HBO, produzida por  Gary Goetzman e Tom Hanks,  sobre a vida de uma mulher amarga e seca, numa cidade pacata.

 

Frances McDormand interpreta brilhantemente a difícil Olive, uma mulher tão carismática quanto antipática, possuidora de um sentido de humor sarcástico e cortante e uma franqueza de fazer gelar os ossos.

 

O tema da série é, sem duvida, um dos meus preferidos de sempre: as relações humanas levadas ao limite.

 

Ela retrata na perfeição o ambiente tacanho e doentio de uma cidade pequena, onde a maioria dos habitantes é dotado de um animo que oscila entre a depressão e a psicose, e as pessoas hipotecam a sua felicidade em nome das convenções sociais e do "bem parecer" apesar de nada parecer bem, ninguém estar feliz e as pessoas parecerem não conseguir fugir de um ciclo interminável de erros e frustrações.

 

Posso dizer que a série é dramática, sombria, inquietante e deliciosa.Sem dúvida das melhores que vi nos últimos anos.

 

Podem ver o trailer aqui

Sab | 20.02.16

Uma tarde de caca ou como sobreviver à gastroenterite da filha

fraldas

 

Na quinta-feira ele saiu mais cedo e conseguimos ir os dois buscar a Lara à creche.

 

Ela parecia bem disposta, como sempre, e lá fomos para casa com ela a tagarelar lá atrás no carro.De repente, um cheiro a laranja azeda ou melhor, a arroto de laranja azeda. Olhei para ele, ele olhou para mim, e concluímos que tinha sido a Lara.Chegámos a casa e tudo decorreu normalmente ou assim nos pareceu.

 

Dei banho à Lara (ela reclamou um bocadinho) e sequei-lhe o cabelo (ela reclamou muito, guinchando e tentando fugir, mas como já é mais ou menos normal não liguei).Brincámos e depois o pai ficou com ela a brincar no quarto.

 

Já perto da hora de jantar o Milton chama-me porque ela estava a vomitar. Foi a segunda vez que ela vomitou. Mantivemos a calma e ajudámo-la como pudemos a vomitar mais, ali mesmo, na carpete peluda e branquinha do quarto. Um grande lago azedo de laranja com sementes de papoila depois, mudamos-lhe a roupa e limpámo-la com toalhitas. Ela reagiu tão bem quanto possível, dadas as condições. Não chorou e confiou em nós para a ajudarmos. Quando fica doentinha ou aflita fica mais sossegada e fica muito mais meiguinha connosco. Parece que fica feliz por estarmos ali a tratar dela (isto sou eu a fantasiar).

 

Não a forçámos a comer e demos-lhe água e chá de funcho.

 

À noite estava tão animada e mexida como sempre e ao fim de mais de meia hora de brincadeira na cama adormeceu.Acordou várias vezes a meio da noite e, de madrugada, bebeu muita água e quis comer bolachas. Comeu quatro bolachas maria com uma rapidez incrível e voltou a dormir. A barriga ainda estava a fazer barulhos de escoamento de líquidos mas não se passou mais nada.

 

De manhã o Milton achou que estava abatida e ficou em casa com a avó.Tudo muito bem. Não vomitou e fez dois cocós duros e um dois mais molinhos até eu chegar a casa, pelas 17h30.Começou aqui a festa da caca.

 

Em 15 minutos fez um cocó líquido (vulgarmente conhecido por diarreia) que mudei prontamente. Sujou só um bocadinho o body mas mudei-lhe a roupa toda.

 

10 minutos depois, oiço umas três descargas líquidas bastante fortes e pensei que, caso fosse continuar dentro de minutos, mais valia aguardar por mais antes de mudar a fralda. Passados 5 minutos mudei de ideias e peguei na Lara para lhe mudar a fralda. Estava praticamente sentada numa poça de cocó, com a roupa toda suja.Foi diretamente para a banheira.10 minutos depois do banhinho tomado, nova cagada.

 

Roupa toda mudada. Alguns minutos depois a mesma coisa.

 

Quando o pai chega estamos as duas a precisar de mudar de roupa outra vez. Peço-lhe para ir ao supermercado comprar fraldas mais pequenas porque aquelas deviam ser grandes demais para deixar passar o cocó tão facilmente.

 

Entretanto faço uma papa de cebola, arroz e cenoura para ajudar a prender um pouco aquela diarreia. Como sou uma pessoa muito otimista fiz logo 6 doses.

 

O pai chega e experimentamos as fantásticas fraldas novas.Tentamos impingir-lhe o puré de arroz e cenoura mas ela cospe e recusa-se a comer aquilo. Olho desconsolada para as outras 5 doses arrumadas em marmitas de vidro. O meu namorado, simpaticamente, oferece-se para as ir comendo. "Aproveito para expelir uns tijolos para as obras cá em casa." brinda-me ele com o seu humor sempre muito charmoso.

 

As fraldas revelam-se tão boas como as que tinhamos. Nova cagada e nova muda de roupa.

 

Desta vez esprememos um bocado os neurónios e resolvemos usar duas fraldas.

 

A Lara come um bocadinho de pão torrado e vamos deitá-la. Como está cansadinha e não dormiu a sesta adormece rapidamente.Agora é orar para haver não festa de noite.

 

 

Pontos positivos a reter:

 

-Ainda bem que tinhamos o roupeiro da Lara cheio de roupa lavada e cheirosa. Pudémos garantir 7 mudas de roupa num dia de inverno.

 

- Fiquei feliz por não ter ficado aflita quando vi a Lara a vomitar. Conseguimos transmitir-lhe calma e segurança e isso refletiu-se na sua própria reação calma, apesar de tudo.

 

 

Pontos a melhorar bastante:

 

- Lembrar-me de não fazer mais de duas doses de papa caseira duvidosa. É melhor ver primeiro se a rapariga vai comer aquilo para não correr o risco de estragar comida. Felizmente o pai parece não se importar de ver o seu cocó transformado em tijolos nos próximos dias

 

.- Tentar ter um pensamento mais rápido e optar logo por usar duas fraldas antes de gastar 10 fraldas numa hora como aconteceu hoje.

 

Ps: Na manhã seguinte, o truque das duas fraldas revelou-se um sucesso. Aguentou-se perfeitamente sem fugas de cocó e, consequentemente, sem roupa suja e sem chatices. 

Sex | 19.02.16

Alimentação para grávidas - 2º trimestre

alimentação gravidez

 

Quando estive grávida da Lara, tive diabetes gestacional e, para além dos cuidados normais que devia ter por estar grávida (como não comer peixe ou carne mal passados e legumes crus) tinha que ter atenção aos níveis de açúcar dos alimentos.Entretanto consultei vários profissionais de saúde, na área da endocrinologia e nutrição,  e pesquisei bastante sobre o tema chegando a um plano alimentar que me convinha.

 

Este plano alimentar é bom para mim (que tenho pre diabetes) e para qualquer pessoa saudável por isso vou partilhar. Claro que alguém que sofra de algum tipo de distúrbio alimentar ou intolerância a algum alimento não o deve seguir.

 

Partilho-o porque quando pesquisei bastante sobre isso na Internet e ajudou-me muito encontrar menus e planos alimentares saudáveis com várias opções e esquematizados. Espero que este possa ser útil também.

 

Pequeno - almoço 8h30

 

Deve considerar-se apenas uma das seguintes opções de cada grupo:

Pão integral ou de mistura (50g)

8 bolachas de água e sal pequenas

6 bolachas maria/Torrada

4 bolachas tipo Cream Cracker

4 tostas médias

2 fatias de pão de forma

6 colheres de sopa de cereais sem açúcar (Corn Flakes)

4 colheres de sopa rasas de aveia

5 bolachas de arroz ou milho+

1colher de chá de creme vegetal

1 colher de sobremesa de queijo de barral light

1 fatia de queijo flamengo+1/2 chávena de leite meio gordo

1 iogurte magro+200g de melão, melancia ou morangos

100g de maçã, pêra, laranja, tangerina, ameixa, pêssego ou ananás

50 g de banana ou uvas 

 

Lanche da manhã (10h30)

6-8 amêndoas/avelãs

3 nozes1

0 amendoins sem sal+1 peça de fruta de tamanho médio

 

Almoço (12h30)

 

1 prato de sopa de legumes+120g de carne sem gordura ou peixe

2 ovos médios

1 lata de atum bem escorrido ao natural (1 vez por semana)+8 colheres de sopa rasas de feijão, grão, favas, ervilhas ou lentilhas

6 colheres de sopa rasas de arroz, massa, quinou ou couscous

2 batatas do tamanho de um ovo (80g)+legumes e hortaliças a gosto com 5g de azeite+1 peça de fruta de tamanho médio

 

1º lanche da tarde (15h30)

 

1 iogurte magro+6 bolachas maria/Torrada

4 bolachas tipo Cream Cracker

 

2º lanche da tarde (17h30)

 

uma das opções de pequeno almoço (sem fruta)

 

Jantar (21h00)

 

Sopa+50 g de pão integral ou de mistura+ 1 peça de fruta de tamanho médio

Qui | 18.02.16

Caril de atum e batata doce

 

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Nas minhas aventuras culinárias é raro eu não alterar uma receita.

Não que eu queira ser criativa ou tenha ideias fantásticas para melhorar as receitas, nada disso. O que acontece é que, normalmente, não tenho os ingredientes todos e rapidamente resolvo substitui-los por outros que tenha em casa. Às vezes resulta, noutras o resultado é uma grande nheca que vai para o lixo e, nas vezes em que resulta maravilhosamente bem, tiro uma fotos e publico aqui no blogue. 

Desta vez quis fazer algo diferente e consegui seguir uma receita ao pé da letra. Fiz tudo direitinho tal como estava indicado na receita.

E não é que resultou?! E muito bem.

Bom… o Milton passa a vida a questionar-se porque é que eu não vou sempre comprar exatamente os ingredientes que preciso e faço as receita como deve de ser. Ora e que piada é que isso teria? Gosto de viver de uma forma aventureira, o que é que querem? 

Desta vez achei que era aventura suficiente tentar fazer um caril de atum e lá segui tudo direitinho. E ficou muito bom!

Eu gostei muito e o Milton adorou! Não me lembro de quando foi a última vez que ele elogiou tanto um almoço que eu tenha feito sozinha (porque se não forem doces, é raro cozinhar sozinha, preciso sempre de uma certa assistência).

Podem encontrar a receita que segui aqui.

Qui | 18.02.16

O que uma pessoa ouve no autocarro

autocarro

 

 Hoje precisei de ir a uma consulta de medicina do trabalho e apanhei um autocarro para lá.

 

Como vivo perto de basicamente todos os locais onde preciso de estar todos os dias, já não andava de autocarro há mil anos. Consequentemente já não me lembrava de como podemos ouvir coisas caricatas.

 

Logo que ponho os pés no autocarro os meus ouvidos começam a ser torturados  com os sucessos musicais da radio renascença.

 

Entretanto testemunho atitudes muito bonitas como pessoas a levantarem-se para ceder o lugar a passageiros com crianças ao colo.  Fico sempre feliz quando vejo as coisas a funcionarem como é suposto.

 

Continuo na mida vidinha, de estação em estação, à espera de vislumbrar pela janela o consultório médico, quando entra um homem pelos 40 anos a cantar qualquer coisa em francês.

 

O homem fica em pé, mesmo atrás de mim.

 

Algo na forma de andar do senhor e na sua expressão facial dava-me indicações de que algo não estava muito bem com ele. Estava alegre e tal mas não parecia no total domínio das suas emoções.

 

Entretanto ouve-se uma senhora  a falar ao telefone. Ela não estava a falar demasiado alto mas, na zona em que estávamos, ouvia-se tudo muito bem.

 

Parecia estar a queixar-se de ter perdido uma consulta médica.

 

Dizia ela com um ar muito apoquentado: "E agora?! Como vai ser agora? A que médico é que eu vou agora?"

 

Diz o homem atrás de mim: "Vais ao veterinário."E foi isto.

Ter | 16.02.16

Um texto do meu primo Daniel

Carla e Daniel

 

 O texto que publico hoje não é meu. É dum primo que nasceu quando eu tinha 15 anos.

 

Lembro-me de andar com ele ao colo, de brincar com ele quando ele era pequeno e de andarmos todos juntos (hoje somos mais de 15, filhos de primos incluídos) a explorar o terreno florestado atrás da casa dos nossos avós em Ansião.

 

Entretanto vim viver para os Açores e encontramos-nos todos com menos regularidade do que gostaria. A última vez que juntámos grande parte da família foi no primeiro aniversário da minha filha Lara, em março do ano passado.

 

Há uns dias, o Daniel enviou-me o texto que segue abaixo.

 

Decidi publica-lo aqui porque escrevia textos de conteúdo semelhante quando tinha a idade dele. Ainda escrevo.

 

Também o publico porque gosto das ideias que contém, da auto-reflexão e da capacidade de englobar nas suas preocupações os sentimentos dos outros. É algo que não se encontra muito hoje em dia.Segue o texto:

 

 

"Hoje deixo aqui um pouco de mim! Sempre vivi bem, sempre tive o que queria, sempre achei que as outras pessoas seriam assim também. No entanto muitas pessoas sentem falta de muitas coisas, coisas essas que as deixam carentes, com medos e fobias. Hoje percebo que era extremamente egoísta, que não percebia como seria difícil sentir tudo isso.

Hoje, que passei por algo muito parecido com isso, que muitas pessoas já teriam passado, aí percebo o quanto estava errado e o quanto errei e o quanto os meus erros prejudicaram as outras pessoas que passavam por isso. O quanto essas pessoas precisaram de mim e eu não liguei nem um pouquinho, o quanto eu fui egoísta! Como tudo isto pode ser possível? Ou até mesmo verdade? Não me vejo assim!

Creio que tudo isto faz parte do ensinamento da vida e que preenche várias páginas de um livro vazio, sem palavras, sem sentimentos, sem nada, só eu e essas páginas, que me deixam num pensamento profundo e me agonia!

Hoje é o dia de pegar nesse livro e o preencher com palavras, sentimentos e tudo mais que possa imaginar. É o dia de recomeçar tendo em mente que o livro jamais se pode tornar num vazio, jamais se pode tonar naquilo que foi. Creio que todos nós passamos por isto, uns de uma forma, outros de outra. Mas a vida é muito mais do que um livro vazio, há muito mais para viver, do que nos fecharmos nesse livro.

Quero também deixar aqui o meu pedido de desculpas a todas essas pessoas que magoei, pela minha falta de carácter.

A vida continua mas não convém deixar estas coisas atormentarem as nossas vidas é por isso que decidi deixar aqui o meu pedido de desculpas. Para que possa recomeçar bem, quero também agradecer a todos os que me ajudaram e me fizeram ver que não estava a ser eu, que me fizeram ver que eu não sou uma pessoa sem carácter, que sou muito mais do que um livro vazio, mas sim um livro cheio de sentimentos e palavras que por vezes me deixa sem jeito e me completa, sendo feliz como sou actualmente. Um Obrigado! Hoje é o dia!" 

 

Daniel Dias Feire

Seg | 15.02.16

As nossas conversas #2

À noite, enquanto arrumamos a cozinha.

 

Eu: Para além do feltro para fazer as letras para a Lara, da caixinha de papel com corujas coloridas e do puzzle com letras, também comprei no chinês etiquetas para os frascos de especiarias.

 

Ele: Mas essas etiquetas não eram para a lancheira da Lara?

 

Eu: Não. Isso são outras. Para além dessas comprei etiquetas para os porta documentos e para os frascos de especiarias.

 

Ele: Mas o que é que não trouxeste do chinês?! Deixaste aquilo tudo vazio?!!!!

 

E nem lhe disse que pensei em trazer um apagador de giz para o quadro, um secador de brinquedo, um bebé com um bacio e autocolantes decorativos para reutilizar uma mochila. Tudo coisas úteis.  

Dom | 14.02.16

Alguém com insónias por aí?

numeros 2

 

Na última visita que fizemos à biblioteca trouxemos um livro sobre números.

 

É um livro educativo que ensina a contar até 10.As imagens realmente são muito coloridas e apelativas e a Lara pede-me muitas vezes para ver o livro com ela.

 

Ficamos então a analisar com atenção cada uma das páginas (cada página é dedicada a um número) e a contar calmamente todos os objetos fofinhos que aparecem.Conto os números devagarinho e depois faço o mesmo com o dedo da Lara. Ela acha graça e fica muito atenta a passar o dedinho em cima de cada imagem e a apontar muito entusiasmada para os algarismos.

 

Às vezes afirma que o 4 é um A  e o 7 é um 1 mas pronto... estou a trabalhar para lhe explicar a diferença.

 

E passamos meia hora nisto: "O menino tem duas mãos vês? Uma, duas."Seguem-se palmas e gritos de entusiasmo.

 

Depois é mais ou menos isto:"Olha os coelhos! Tão fofinhos que eles são! Um coelho, dois coelhos, três coelhos, quatro coelhos...";

 

"E as pás? Que lindas pás azuis! Uma pá, duas pás, três pás, quatro pás, cinco pás..."

 

"Que lindos balões vermelhos! É uma festa dos balões! Vamos contá-los? Vamos. Um balão, dois balões, três balões, quatro balões..."

 

"Tantas palhinhas verdes!!!! Uma palhinha, duas palhinhas, três palhinhas, quatro palhinhas... zzzzzzzzzz (Isto sou eu a ressonar em cima da cabeça da minha filha!).

 

Pessoal com insónias, esqueçam a contagem de carneiros.

 

Este livro é muito mais eficaz!

 

livro numeros

 

livros numeros 4

livro números 7

Sab | 13.02.16

Da Biblioteca #1

Inaugura-se hoje, aqui no estaminé, a rúbrica "Da Biblioteca" onde vou mostrar todos os livros que trazemos da biblioteca quinzenalmente.

 

Esta semana trouxemos estes:

 

Biblioteca "A casa verde" de Mario Vargas Llosa

 

Escolhi este para o Milton porque seria o que eu leria.

 

Ele pediu-me apenas para trazer um do Mario Vargas Llosa.

 

 

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Já estou quase a acabar o primeiro volume de "Os Pilares da Terra" e estou a adorar. Assim, trouxe o segundo volume e também um livro que já tinha trazido mas não tinha conseguido ler ainda.

 

 

 

 

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Três histórias para ler à Lara antes de dormir: duas do Ruca porque ela às vezes vê os desenhos animados do Ruca e "Os Três Porquinhos", um clássico engraçado que costumava contar ao irmão de uma amiga quando era criança. Vamos ver se a Lara gosta tanto como ele (que hoje já é um rapaz de mais de 20 anos).

 

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Para terminar, dois livros didáticos: um mais recente e outro que deve ter uns 20 anos mas que achei muito cativante e engraçado por ter imagens reais e bonitas.

Qui | 11.02.16

Fiz uma sopa de miso! yay!

sopa-de-miso


Comi sopa de miso pela primeira vez num restaurante japonês em Lisboa.

Era um restaurante de buffet, daqueles que tinham a comida a girar em pratinhos pequenos e ficava no centro comercial de Odivelas. A sopa de miso estava incluída no preço fixo do buffet e, desde que comi a primeira vez, que se tornou a minha sopa preferida de sempre.

Entretanto vim viver para os Açores e nunca mais tinha comido sopa de miso. Por cá nunca vi em nenhum restaurante.

Acontece que ultimamente tenho visto pelos blogues várias receitas de sopa de miso e qual não foi o meu espanto ao perceber que era super fácil de fazer.

Pedi ao Milton que me trouxesse miso de Lisboa (embora também se venda em lojas de produtos naturais aqui em Ponta Delgada) e fiz a sopa.

E não é que ficou mesmo boa e a saber a sopa de miso? O Milton, que nunca tinha comido sopa de miso, gostou muito.

Segue a receita que é, no fundo, uma adaptação de uma receita que encontrei na Internet aos ingredientes que tinha em casa.

Esta sopa não deve ser guardada no frigorífico para comer no dia seguinte por isso convém fazer a dose certa para as pessoas que vão comer. No meu caso posso sempre fazer a mais que não deixo sobrar. Como tudo. 

Sopa de miso para duas (ou três) pessoas

  •  4 chávenas de água
  •  1 colher de sopa de molho de soja
  • 4 bocadinhos de gengibre fresco (lascas de 3 mm)
  • 2 colheres de sopa de miso de soja (pode ser outro tipo de miso)
  • 5 ou 6 cogumelos frescos fatiados
  • 1/2 alho francês em rodelas fininhas
  • Cebolinho 


    Colocar a água, o molho de soja e o gengibre numa panela em lume brando.

    Deixar ferver durante 6 minutos.

    Adicionar os cogumelos e o alho francês e deixar cozinhar por mais 7 minutos.

    Desligar o fogão.


    Retirar um pouco da água da panela para um copo e dissolver o miso na água.


    Adicionar o miso e misturar  com uma colher para dissolver bem.


    Colocar o miso dissolvido na sopa e misturar bem.


    Cortar um pouco de cebolinho e adicionar à sopa.


    Está pronto para servir.


    Bom apetite!

Qui | 11.02.16

A loucura por Nutella

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Não passa por aqui.Sou gulosa. Muito gulosa! Consigo comer doces todos os dias.

 

Não o faço por motivos de saúde mas se pudesse enchia-me de pão caseiro quentinho com enchidos e queijo e carnes frias e mais queijo. Comia mousse de manga e de limão, bavaroise de nescafé, malpassadas, bolos de especiarias, gelados com pedacinhos de biscoito, bolachas embebidas em chá e café, sacos de gomas, pudins, cheesecakes, queijadas de todos os sabores, panna cotta e todo o tipo de doce lácteo que se possa imaginar.Mas não dá.

 

Agora se há coisa que não me deixa a salivar é Nutella. Não sei porquê. Se calhar porque nunca fui habituada. Lá em casa usava-se Tulicreme. Sim, bem sei que não tem nada a ver uma coisa com a outra mas... não morro de amores por Nutella.

 

Não gosto de chocolate em especial, nem de bolo de chocolate (gosto de mousse de chocolate caseira bem consistente), nem de brigadeiros ou gelados de chocolate.Mas, com a febre de Nutella que anda por aí, decidi pedir de sobremesa um crepe com recheio de Nutella que dividi com o meu namorado (na verdade foi ele que dividiu comigo).

 

O crepe era excelente, com uma camada crocante por cima e ficava bem agradável com Nutella (teria preferido doce de maçã ou de frutos vermelhos mas não estava mal).

 

Cerca de 10 minutos depois estava enjoadíssima. Agoniada quase.

 

Não dá, não apanhei a febre da Nutella.Creio que não vou insistir.

 

crepe de nutella

Qua | 10.02.16

Lara #1

Lara e mamã

 

Tenho no móvel da televisão uma caixa de papel com fotografias lá dentro.

 

A Lara gosta de a abrir e ficar a ver as fotos. A maior parte das fotos são minhas, do meu namorado e da Lara mas também tenho algumas de quando era pequena.

 

Mostrei-lhe uma foto minha com uns 3 anos e perguntei-lhe quem era. Ela respondeu-me que era ela, apontando para si com o dedinho espetado.

 

Depois pegou numa foto e ficou a olhar para ela com muita atenção. Espreitei e vi que era uma foto tirada no hospital, com a Lara recém-nascida no meu colo.Perguntei-lhe quem era aquele bebé e ela disse que era ela. E continuou a olhar para a foto com um ar engraçado enquanto eu lhe explicava que um dia ela foi um bebé muito pequenino.

 

Então ela disse "Mamã" com uma voz de algodão doce e sentou-se no meu colo para me dar o abraço mais amoroso de sempre.

 

E pronto lá fico eu mais mole que uma banana cheia de pintas.

Seg | 08.02.16

Obsessões de madrugada

really

 

Eu, ele e a nossa filha acordados de madrugada.

 

A Lara chorava sem parar por motivo desconhecido (sem febre, dores aparentes, fome ou fralda suja). Desde a 1h00 da manhã que estávamos de pé. Já passava das 5h00 da manhã.

 

Cansados. Extenuados. Verdes. Azucrinados.

 

Ele com a Lara ao colo a ver se ela adormecia embalada. Eu, a sentir-me um espantalho dormente, a "fazer companhia", já que também não conseguia dormir com a Lara a chorar.

 

Ele olha para mim com ar sofrido, de quem está prestes a pedir qualquer coisa muito urgente e inevitável.

 

Penso logo: "Coitado. O que quererá? Que segure eu na miúda? Um copo de água? Algo para mordiscar? Um copo de vinho para aliviar a cabeça? Uma mantinha para se cobrir?"

 

Diz ele a olhar para um canto do chão: "Podes apanhar-me aquele centímetro quadrado de cotão e pôr no lixo?"

Dom | 07.02.16

O meu parto por ventosa

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Antes de entrar no Hospital, com a alegre disposição de quem pensa que vai para uma festa do pijama.

 

Depois deste título sugestivo, devem estar à espera de uma história cheia de detalhes interessantes. :)

 

Adiante.

 

Estava grávida e tal, não vale muito a pena explicar como aconteceu (acredito que estão todos familiarizados com o procedimento), e aproximava-me das 40 semanas.

 

Como isto agora está muito simplificado, o meu médico já tinha marcado a indução do parto, para alguns dias depois das 40 semanas, caso não ocorresse de forma natural no devido tempo.

 

Antes de pensar sequer em engravidar, imaginava que as mulheres deviam entrar em pânico à medida que se aproximava a hora do parto. Nada mais longe da verdade. Pelo menos comigo.

 

Fiquei mais nervosa nos primeiros meses de gravidez, do que no parto em si, ou nos momentos que o antecederam.

 

O facto é que andei 9 meses a preparar-me psicologicamente, não só para o parto, mas também para ser mãe. Sabia que existiam muitas probabilidades de me sentir insegura, por isso pesquisei muito sobre tudo e mais alguma coisa, li livros inteiros sobre o assunto e, sobretudo, falei imenso com amigas que já tinham filhos e experiências diferentes. Vi vídeos no youtube, li muitos blogs, fóruns e tudo o que se possa imaginar.

 

Devo sublinhar que não tenho irmãos nem tive nunca grande contacto  com crianças pequenas, muito menos recém nascidos. Ou seja, não percebia absolutamente nada de nada daquilo em que me estava a meter.

 

Portanto, já que não tinha prática, adquiri toda a teoria que pude.De modo que, passadas 40 semanas a Lara, como pessoa inteligente que deve ser, não estava com pressa nenhuma de vir conhecer este belo mundo onde se sente fome, frio e frustração.

 

No dia combinado, dirigi-me ao hospital com o meu namorado, logo pela manhã. Estava fresca e bem disposta, com uma magnífica cabeleira de 9 meses sem queda de cabelo (belas hormonas), um pouco ansiosa, mas nada nervosa.

 

Fiquei a aguardar à porta da maternidade, na sala de espera, onde fui vendo chegar várias mulheres na mesma situação que eu. Tive uma sensação engraçada ao vê-las. Pensei "Ena tantas grávidas! E estão tão grávidas!" sem me aperceber que eu estava exatamente na mesma situação.Entretanto apareceu uma enfermeira que trouxe consigo murmúrios de que não existiam camas para tantas grávidas. Excelente!Não sabia bem o que pensar daquilo, mas lá fiquei a aguardar. Entretanto, com o passar do tempo de espera, lembrei-me de mencionar que tinha diabetes gestacional e que talvez fosse boa ideia comer qualquer coisa. Assim que o mencionei à enfermeira ela mandou-me logo entrar, porque parece que tinha prioridade, e deitar numa maca, enquanto fazia uns exames e me media a glicose.

 

Foi aqui que experienciei pela primeira vez o temível "toque", o que mais me custou durante todo o processo.

 

Para algumas pessoas o toque não representa dor, nem uma experiência negativa, para mim foi um bocado traumático.

 

O toque é feito para verificar a espessura e dilatação do colo do útero, é repetido imensas vezes até ao trabalho de parto e, para mim era como ter dores menstruais multiplicadas por 1000, e as minhas são mesmo muito fortes, daquelas que fazem vomitar, desmaiar e perder a sensibilidade no corpo.

 

Depois do toque percebeu-se que eu não tinha qualquer dilatação. É suposto termos 10 dedos de dilatação para que o parto normal se possa realizar.Não me preocupei muito porque estava ali para induzir o parto.

 

Quando o meu médico chegou, "aplicou-me" um comprimido para provocar o parto e disse-me para ir dar uma volta, almoçar e voltar quando estivesse a sentir contrações. Maravilha.

 

Fui até ao centro comercial, almocei uma bela sandes integral com vegetais, passeei e... nada de contrações.

 

Voltei ao hospital e fiquei de vez internada. Deram-me uma linda bata bege aberta atrás e fiquei num quarto individual onde me espetaram uma agulha na mão, por onde seria aplicado soro com uns componentes que iriam aceleram o parto. Lá fiquei com o Milton, ligada à máquina de CTG, à espera que algo acontecesse.

 

Aparvalhámos um pouco, tirámos umas selfies pré parto e tal. Passado um tempo, comecei a sentir algumas dores menstruais, as tais contrações. As enfermeiras vinham, de vez em quando, fazer o "toque" (umas eram mais meiguinhas que outras o que fazia uma diferença muito grande) e concluir que a dilatação não evoluía dos 2 dedos.

 

Assim fiquei até à noite, quando chegou a hora de saída do meu médico e ele me indicou que continuaria a ser seguida pelo médico que vinha a seguir. Não fiquei muito satisfeita, porque confio no meu médico como em mais ninguém, mas não havia muito a fazer. Continuei calma, mesmo quando o Milton foi para casa, depois de eu insistir muito com ele, e eu passei a noite sozinha no hospital, sem comer quase nada senão à noite, quando pararam a indução. Parece que de noite, deixam de induzir o parto, para retomarem na manhã seguinte.  Dizem que de noite se trabalha pior. Aceitei pacificamente essa justificação, por mim, queria toda a gente de pestana bem aberta na hora H.

 

No dia seguinte, voltaram a induzir o parto por medicação intra venosa mas, apesar das contrações serem mais fortes, de acordo com o CTG já que eu continuava a sentir apenas dores menstruais (por sinal bem menos dolorosas que o toque), não passava dos 4 dedos de dilatação.Entretanto, as contrações parecem ter ficado mais fortes e acharam por bem dar-me epidural. Eu também achei bem. Nunca tive muita queda para o masoquismo. Na verdade eu queria a epidural para as dores do toque, mais do que outra coisa qualquer. A epidural não representou qualquer problema. Nem me lembro de sentir a picada, só uma sensação fresquinha a percorrer as costas. O problema foi deixar de poder sair da cama. Confesso que, ao contrário do que podem imaginar, fazer xixi naqueles penicos de aço do hospital não é uma experiência lá muito divertida.

 

O Milton esteve sempre comigo, mas às tantas, aquilo já devia estar a ser uma valente seca para os dois. Já não havia assunto para falar, nem grande espírito ou posição para ver filmes. Chegou a noite e a história repetiu-se. Paragem da indução e passar a noite sozinha no hospital.

 

Nos entretantos, as equipas médicas e de enfermagem iam mudando. As opiniões também iam mudando.

 

Se umas enfermeiras achavam que não tinha que ter dores e me reforçavam a epidural, as outras não o faziam sem uma autorização do médico, umas diziam para fazer força, outras diziam para parar de fazer força. A maior parte do pessoal não primava pela simpatia e, a não ser que eu perguntasse, ninguém me explicava o que estava a acontecer e quais eram os planos. O meu médico foi o único que o fez.Entretanto, uma das enfermeiras rebentou-me as águas para acelerar o parto. Sem grande efeito.

 

Na segunda noite, sem conseguir dormir, ouvi uma mulher a gritar de uma forma aterradora. Logo depois ouvi um bebé a chorar.

 

Chorei um bocadinho também. Estava a sentir-me mesmo muito sozinha e desanimada. Estava ali há dois dias, sem comer quase nada e sem me poder levantar enquanto outras mulheres davam 3 gritos e os miúdos nasciam logo. Não me pareceu justo. Também não encontrei a quem atribuir a culpa por isso limitei-me a ficar desanimada.

 

Esta foi, sem dúvida, a pior fase de todas. O desânimo, a falta de apoio que senti, as indicações contraditórias que me davam, a falta de informação, o não ter nada a dizer sobre a forma como gostaria que o parto decorresse, o ninguém me perguntar nada sobre a forma como me estava sentir psicologicamente...

 

Isso foi o que me custou mais.No terceiro dia, nada parecia ter mudado. Ia sempre pedindo reforço de epidural (já não sentia uma perna) e ia recebendo indicações diferentes de pessoas diferentes. "Faça força", "Não faça força", "Não respire assim", etc.

 

Apareceram uns 6 ou 7 médicos diferentes que me iam observando e tirando notas, sem olhar muito para mim.Alguns eram muito simpáticos, tão simpáticos que os confundi com enfermeiros. :)Entretanto apareceu uma jovem médica que me perguntou com um ar falsamente sábio algumas coisas (devia ter percebido logo que estava a aprender e aquele ar sério era farsa para disfarçar a falta de segurança) e indicou logo que não iria ter mais epidural porque ela queria que eu sentisse dores para poder fazer força na altura certa.Chamei-lhe muitos nomes na minha mente e nem lhe respondi.

 

Perto do meio dia, chega o médico de serviço com um ar muito descontraído. Era o primeiro ser humano bem humorado que tinha visto nos últimos dias, o que me deixou automaticamente com uma sensação de confiança. Se ele estava de bom humor é porque o caso não estava grave.

 

Mais toques e tal que, entretanto e graças às doses cavalares de epidural, deixei de sentir tanto e ele diz que vamos para o bloco de parto.Fiquei perplexa. Ao fim de mais de dois dias de espera, sem ninguém me dar qualquer tipo de informação sobre a evolução do trabalho de parto, eu estava quase convencida de que iam optar por fazer cesariana. Eu própria já o tinha sugerido, farta que estava de estar ali deitada, sem me poder mexer, e com o ânimo completamente esfrangalhado.

 

Continuei calma, apenas levemente surpreendida. Estava farta de ali estar, muito cansada, mas nunca me senti nervosa.Na sala de parto, o Milton estava ao meu lado mas confesso que mal dei por ele a não ser quando o médico lhe perguntou se precisava de ir deitar-se numa cama, dada a sua palidez.

 

Fizeram-me rebolar (muito penosamente dado o meu tamanho e o meu entorpecimento) da cama para a mesa de partos,  e fiquei com várias pessoas à minha volta. Um senhor com o tamanho de um segurança de discoteca ficou a empurrar-me a barriga com toda a força, enquanto eu própria fazia força, o que resultou em dores horríveis, semelhantes às do toque. Eu ia conversando com o senhor "calmamente como é evidente (not)", dizendo-lhe de forma assertiva, que teria que parar de me empurrar a barriga porque estava a esmagar-me os pulmões e eu não conseguia respirar. Aquilo não foi nada agradável. Nesta fase mandei uns gritos valentes, não horríveis ou desesperados, mas daqueles de quem está  a fazer uma grande força, assim como se estivesse a tentar levantar sozinha uma rocha enorme.

 

Entretanto aquela médica nova saca de uma ventosa para puxar a Lara. Nem me ocorreu que ela podia ser uma estagiária e que eu estava a servir de cobaia. A ventosa partiu-se sem fazer, aparentemente, qualquer efeito. Ela usa outra ventosa que, curiosamente, também se partiu. Eu devia estar mesmo dormente para não desancar aquela mulher e lhe dizer que se afastasse rapidamente da minha pessoa e da pessoa da minha filha. Entretanto ela desapareceu por si e, magia das magias, o obstetra usou uma terceira ventosa e, em menos de nada, sacou a Lara cá para fora. Não senti absolutamente dor nenhuma nesta fase. Sentia o que estava a acontecer, mas sem dor.

 

E puseram em cima da minha barriga uma espécie de golfinho grande, de uma cor entre o vermelho, o rosa e o azulado. Achei-a tão grande!

 

Não chorei, nem ri, nem me senti extremamente emocionada. Estava mesmo muito cansada.Entretanto o médico fez os seus "bordados" durante um período de tempo que me pareceu interminável, e assim que estava pronta para ir para o quarto com a Lara a enfermeira assistente fez o quê?

 

Ora temos 3 bonitas hipóteses:

 

a) Fez-me umas massagens nos ombros para eu relaxar após um período de tanto esforço.

b) Olhou com atenção para a Lara e parabenizou-nos pela grande e bonita menina que tinhamos fabricado.

c) Olhou para o Milton e disse que se tinha portado muito bem, para homem.

 

Nenhuma destas. A hipótese correta aproxima-se mais da c) mas foi mais algo assim:

A enfermeira virou-se para o Milton e disse: "Li na sua ficha que era engenheiro informático de modo que vai ajudar-me a resolver um probleminha. É que a minha filha está com um problema no skype e tal..."Aparvalhada. Ainda mais. Foi o que eu fiquei.

 

Quando voltei ao quarto e me mediram a tensão, estava com 5/3 e a enfermeira caiu em si e olhou para mim como se duvidasse que estivesse consciente. Perguntou-me 3 vezes se me sentia bem. Por acaso sentia-me bem.

 

E pronto, depois, foram mais 2 dias com a Lara no hospital.É, foi isto.Parecendo que não, faz-se bem.

 

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Dom | 07.02.16

Uma hora e 10 minutos sozinha

café e livro

 

 

 

 

 

separador livros de feltro

 

Foi o que tirei para mim, ontem de manhã.

 

A minha filha está doente há dias e não pode sair de casa. Eu e o meu namorado não dormimos duas horas seguidas há não sei quantas noites. Precisamos urgentemente de arejar a mente.

 

Decidimos que, enquanto não pudermos sair juntos de casa ao fim de semana, vamos sair separados.

 

Ele aproveita para correr ao fim do dia e eu para fazer duas das minhas coisas preferidas fora de casa: beber café (sim, desisti de deixar o café) e ler um bom livro.

 

Soube-me tão bem! Aproveitei para fazer umas coisas de que precisava pelo caminho, como ir à farmácia e ir buscar um colar de prata que mandei cortar, mas  obriguei-me a não entrar em nenhuma loja (por mais que os cartazes com 50% e 70% piscassem nas montras).

 

Logo que me despachei do que tinha para fazer entrei num café do centro da cidade que me pareceu simpático e ali fiquei, quase uma hora, a ler o segundo volume de Os Pilares da Terra.

 

O pessoal  era super simpático e tive a agradável surpresa de pagar 0,50€ pelo café. Parece-me que ganharam uma cliente frequente.

 

Se pudesse teria ficado ali pela tarde fora mas... pelas 13h10 coloquei-me a caminho de casa.

 

Pelo caminho consegui apreciar pequenas coisas em que não costumo reparar quando estou com pressa ou acompanhada: as fachadas trabalhadas dos prédios antigos, as dezenas de turistas que circulam por ali (adoro ver montes de rostos diferentes e ouvir várias línguas pelas ruas da cidade), as montras das lojas atafulhadas de peluches para o dia dos namorados, lojas de decoração giras que nunca tinha visto, modelos variadíssimos de brincos de pérolas nas montras das ourivesarias, na quantidades de ourivesarias da rua... tantas.

 

De repente senti um cheiro forte a perfume de homem e percebi um casal à minha frente. :) Sempre achei tão estranho o perfume forte de homem. Não sei bem porquê mas sempre achei peculiar e estranho alguém sair de casa (ou estar em casa) com um cheiro assim tão forte. Se calhar porque nunca convivi de perto com alguém que usasse perfume de homem forte.

 

Fiquei com este erudito pensamento na mente até chegar a casa, o que aconteceu em 3 minutos.

 

Isto tudo para dizer que preciso mesmo de tirar umas duas horas por fim de semana só para isto: ler, ter pensamentos simples, olhar as montras, caminhar aleatoriamente, ouvir conversas alheias, observar as pessoas.

 

Senti-me mais nova 10 anos e muito mais enérgica. Bom a parte enérgica vem do café o meu único vício de momento (agora que não jogo candy crush).

Sab | 06.02.16

Espaguete com atum, cogumelos e natas

esparguete

 

 Sábado de chuva e vento, muita preguiça e pouca vontade de cozinhar. Ainda assim necessidade de almoçar.

 

O resultado foi um daqueles pratos super fáceis e que ficam sempre bem: espaguete com atum, cogumelos e natas.

 

Apesar da foto do prato da minha filha não lhe fazer justiça, asseguro que ficou delicioso!Pai e filha repetiram. Eu não repeti porque comecei a dieta hoje (sim, outra vez).

 

Segue a receita que deu para quatro doses generosas e mais duas para a Lara.

 

Ingredientes:

 

- 1/2 pacote de esparguete

- 1 pacote de natas

- 1 lata de cogumelos laminados

- 3 latas de atum- sal

- 1 cebola média- azeite

- 4 colheres de sopa de polpa de tomate

- alho em pó- pimenta preta moída

- 1 colher de sopa de vinagre de maçã (opcional)

 

Coze-se o esparguete numa panela com água e sal.

Depois de cozido, escorrer e reservar.Refogar a cebola com o azeite durante  5 minutos e acrescentar os cogumelos.

Deixar fritar um pouco.

Acrescentar um pouco de sal, pimenta e alho em pó.

Juntar o atum escorrido em lascas, a polpa de tomate e o vinagre de maçã e deixar alguns minutos no lume.

Mexer sempre, para não agarrar.

Juntar as natas e mexer durante mais 5 minutos.

Retirar do lume, juntar o esparguete escorrido e misturar tudo muito bem.

O aspeto não é fenomenal mas fica uma delícia.

 

esparguete 2

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